Os desafios de Biden

Os desafios de Biden

Presidente enfrenta a 'guerra' com a China e a Rússia e a questão do clima, entre outras questões

Jurandir Soares

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O presidente norte-americano, Joe Biden, está atacando em várias frentes, como convém ao dirigente da maior potência mundial. Nesse elenco de ações estão a guerra 2.0 travada com a China, o enfrentamento com a Rússia, o combate à Covid-19, o controle da fronteira Sul, a questão do clima e o bem maior dos Estados Unidos, que é a defesa da democracia, que esteve ameaçada dentro de seu próprio território na última eleição. Além disso, colocar em prática promessas de campanha como a recuperação da economia e a geração de empregos.

Começando por este último tema, nesta semana Biden conseguiu dois substanciais aportes financeiros para impulsionar seus projetos. Primeiro, o Congresso aprovou uma verba de 1 trilhão de dólares para ser investida em infraestrutura. Serão rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. Obras que atendem a ambos os objetivos traçados na campanha. Detalhe: aprovação com uma significativa participação dos republicanos. Além disto, houve a aprovação de outra substancial verba, de 3,5 trilhões de dólares, para saúde, educação e segurança. Essa ainda depende de ratificação no Senado, mas o dinheiro está chegando para impulsionar o desenvolvimento do país.

No que toca à saúde, Biden esbarrou na resistência de parte dos cidadãos do país à vacina contra a Covid-19. Embora o governo tenha colocado vacinas à disposição de toda a população e tenha dado incentivos às pessoas para se vacinar, como o de 100 dólares, não conseguiu chegar aos 70% em 4 de julho, conforme planejara. O processo de vacinação, que ia muito bem, de repente estancou. Quanto à fronteira Sul, Biden enviou emissários aos países centro-americanos com ofertas de recursos, em troca do estancamento da migração. Aliviou, mas está longe de ser resolvido.

Quanto à China e à Rússia, havia o temor de que Biden não manteria a política de endurecimento de Donald Trump. O democrata, no entanto, tem sido até mais incisivo que seu antecessor. Aí eu poderia dizer para os meus amigos republicanos daqui: viram como Biden está agindo? No entanto, o tratamento com esses dois países não é uma política de republicanos ou de democratas. Ou seja, não é uma política de governo, é uma política de Estado. E assim obedece a parâmetros já traçados, tanto que o enfrentamento com Pequim no mar do Sul da China não só continuou como aumentou. Assim como as cobranças a Moscou e as mobilizações militares em águas que a Rússia entende que são suas.

Para as questões do clima, Biden nomeou o ex-secretário de Estado John Kerry para tratar das mesmas. Já promoveu inclusive uma videoconferência, onde o presidente Bolsonaro esteve presente como convidado e se comprometeu a metas que deixam dúvidas sobre suas realizações. Por fim, nesta semana, Biden anunciou que vai convocar outra videoconferência, desta vez para defender a democracia. Lógico que Xi Jinping e Vladimir Putin não participarão. E aí muitos questionaram se Bolsonaro estará presente. Afinal, o desfile militar desta semana em Brasília, embora tenha se tratado de uma infeliz coincidência com o debate na Câmara sobre o voto, pegou muito mal no exterior. Onde chegou a haver a acusação de “república bananeira”. Algo que, diga-se de passagem, o vice-presidente Mourão afirmou que não somos, assegurando eleições normais em 2022. Por via das dúvidas, Biden mandou, também nesta semana, a Brasília o assessor do Conselho Nacional de Segurança, Jake Sullivan, com um sutil recado para dizer que o governo norte-americano confia nas urnas digitais brasileiras.

 


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