Donald Trump está voltando com muita expectativa, mas também com muitos desafios pela frente, tanto no âmbito interno como no externo. No que toca às questões internas o principal é a economia. Buscar recuperar o poder aquisitivo do cidadão americano, ainda sentindo os reflexos da pandemia. Para isto, precisa baixar a inflação que fechou 2024 com 3,8%, um índice ainda alto para os padrões americanos.
Trump vai lidar com a maior economia do mundo, com um PIB estimado pelo FMI em US$ 28,78 trilhões. Esse papel de liderança confere aos EUA a capacidade de exportar os efeitos de suas políticas monetárias, como a adoção de medidas altamente expansionistas para sustentar a economia após a pandemia.
IMPOSTOS
Um dos princípios dos republicanos – corte de impostos – será implantado pelo futuro ocupante da Casa Branca. Também entram nos cortes os incentivos fiscais, incluindo a manutenção da Lei de Cortes de Impostos e Empregos, redução da taxa de imposto corporativo de 21% para 15% e o fim da tributação sobre gorjetas. Num contraponto aos democratas, as propostas fiscais de Trump priorizam o crescimento econômico e a autonomia energética dos EUA, com menor foco na desigualdade.
Esta política energética contempla a volta da exploração dos combustíveis fósseis, que fora desativada por Biden. Com isto terminam os incentivos para a produção de energia limpa. É a busca de autossuficiência energética e menor dependência externa.
TAXAÇÃO
Algo que Trump já deixou bem claro que irá fazer será a taxação de produtos vindos de outros países. Ele prometeu intensificar o protecionismo, com tarifas de importação de até 20% sobre produtos estrangeiros, incluindo europeus, e de até 60% sobre produtos chineses. Prometeu taxar inclusive produtos vindos do México e do Canadá, dois países que têm acordo de livre comércio com os EUA. Está de olho na expansão da presença de indústrias chinesas no México, de onde vendem seus produtos para os americanos. Aliás, a preocupação se estende pela presença cada vez mais crescente da China pelos mais diversos países da América Latina.
Essa política de taxação pode ampliar as tensões comerciais com a China e estimular o país asiático a fortalecer laços com adversários dos EUA, como Rússia e Irã. Fica claro que deve voltar a Guerra Comercial 2.0 que Trump estabeleceu com a China durante o seu mandato anterior.
CONFLITOS
Falando em guerra, é grande a expectativa quanto às atitudes de Trump com relação às duas principais guerras que estão acontecendo, ou seja, Ucrânia e Gaza. Lembrando que ele disse que acabaria com a guerra na Ucrânia tão pronto assumisse o governo. O próprio presidente Volodimir Zelensky disse estar na expectativa de qual será a proposta de Trump. A propósito dessa guerra, Trump disse que quer parar com a ajuda dos EUA à Ucrânia, que já chegou a US$ 67 bilhões. Biden, por sua vez, disse que essa ajuda impulsionava a indústria bélica americana.
No que toca a esse confronto, há muita expectativa sobre como Trump irá tratar com seus parceiros da Otan. Vale lembrar que ele já chegou até ameaçar largar a organização. Fato que tem motivado múltiplos debates entre os membros da Aliança Atlântica, com muitos dizendo que a Europa tem que tratar de se estruturar, sem depender dos EUA. Não é sem razão que a Polônia, que se sente ameaçada pelo expansionismo da Rússia, já aumentou para 4% do PIB a sua verba para armamentos e vai logo passar para 5%.
GAZA
Outra expectativa em termos de política externa é sobre qual será a atitude do governo Trump com relação ao conflito de Gaza. Lembrando que em sua primeira administração ele conseguiu mediar os chamados Acordos de Abrahão, que resultaram na assinatura de tratados de paz de Israel com Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Sudão e Marrocos. Ficou faltando a Arábia Saudita, a qual anunciou que só volta a negociar se for contemplada a questão do estado para os palestinos. Sabe-se que Trump não tem se mostrado favorável a esta contemplação, fechando mais com a posição de Netanyahu.
Enfim, sai da presidência dos EUA a figura debilitada de Biden e assume a figura enérgica de Trump, gerando expectativas do mundo todo sobre o que resultará da nova administração americana.
