Jurandir Soares

Os múltiplos ataques de Trump

Várias das promessas do presidente dos Estados Unidos estão indo adiante

Já ficou claro que o presidente Donald Trump está colocando em marcha tudo o que prometera em campanha e um pouco mais ainda. Até agora a resistência maior que sofreu foi com relação a uma das coisas mais absurdas que anunciou: transformar o Canadá no 51° estado dos EUA. A reação, em palavras e atitudes dos canadenses, foi tão forte que ele não tem mais falado no assunto. De repente, os governadores de Nova Iorque, Michigan e Minnesota devem ter dito para ele que não poderiam correr o risco de ficar sem a energia elétrica vinda do vizinho país. Assim como os produtores norte-americanos devem ter reclamado que seus produtos não são mais encontrados nas prateleiras de supermercados no Canadá. Porém, no que toca às demais promessas, as ações de Trump estão indo adiante.

UCRÂNIA

Sobre uma das questões mais complicadas, a guerra entre Rússia e Ucrânia, ele conseguiu mediar um cessar-fogo, ainda que muito limitado. Envolveu apenas a navegação no Mar Negro e a proteção às usinas de energia. No que toca aos combates, estes continuam. Mas não deixou de ser um progresso, pois as exportações de cereais e o fornecimento de energia elétrica, tanto para Ucrânia como para Rússia, estão garantidos.

Está aberto o caminho para que a Rússia fique com a posse territorial da parte leste da Ucrânia, que já invadiu, e os Estados Unidos ficarão com os minérios ucranianos, em troca do pagamento do que já foi enviado para a guerra. Ao mesmo tempo em que, com sua presença dentro do território ucraniano, os EUA evitarão algum ataque russo. Não era o que a Ucrânia queria, mas é o caminho que se vislumbra para o fim da guerra.

GROENLÂNDIA

Sobre a ilha que pertence à Dinamarca e que Trump diz que quer tomar por questões de segurança, já escrevi n esta semana. Porém, cabe acrescentar que as presenças do vice-presidente J.D. Vance, do conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, Mike Waltz, e de outros importantes membros do governo demonstram uma tomada de atitude. Porém, atitude que, como já disse, é totalmente desrespeitosa para com a Dinamarca, que possui a soberania sobre a ilha, mas está – segundo tudo indica – voltada para os ilhéus. Como estes já manifestaram por diversas vezes sua intenção de conquistar a independência, lhes será oferecida a possibilidade de passar para o domínio norte-americano e usufruir de melhor qualidade de vida, em função dos investimentos que serão feitos na ilha. Quanto à Dinamarca, a resposta parece ser: “Que se dane. Vamos lhe dar segurança”.

GUIANA

Curioso que, enquanto um dos homens fortes do governo, o vice Vance, chegava à Groenlândia, outro homem forte, o secretário de Estado Marco Rubio, chegava à Guiana, com dois objetivos: negociar a compra do abundante petróleo da região do Essequibo e alertar o venezuelano Nicolás Maduro para que não se atreva a invadir a Guiana.

Este, um fato novo, que ainda não havia sido levantado por Trump, mas que marca uma posição determinante quanto a uma questão controversa da América Latina. E dá um “chega pra lá” a Maduro. Quanto ao outro ponto controverso da região, o Canal do Panamá, que Trump prometeu invadir, está no momento fora das manchetes. Porém, o governo panamenho já entendeu o recado de que não pode deixar a área sob o domínio da China.

IRÃ

Sobre o país dos aiatolás, Trump pouco falara, porém foi contra quem tomou uma das atitudes mais firmes. A notícia relata o contingente bélico que Trump enviou para a região e diz que “Isto sugere uma força expedicionária de ataque”. Diante desta pressão o que aconteceu: o governo do Irã manifestou que está disposto a negociar com os EUA o seu programa nuclear. Só que, de forma indireta. Até pode ser, porém Trump consegue trazer para a luz do debate o temeroso programa nuclear do Irã. E, com isto, alivia a possibilidade de um confronto bélico entre Irã e Israel.

O que não ficou só na ameaça foi a ação contra um grupo aliado do Irã: o houthis, que atuam no Iêmen e que foram alvo de intenso bombardeio por parte de forças norte-americanas. Mostrando que há uma firme disposição de acabar com os ataques que os houthis vêm realizando a navios comerciais que trafegam pela Mar Vermelho.

TAXAS

E, para encerrar a coluna, o que não quer dizer que seja a última das ações de Trump, as taxas estabelecidas para os mais diversos parceiros comerciais. Tarifas que começam em 25% para os carros europeus e chegam a 100% para os chineses. Trump quer que as empresas passem a produzir nos EUA, o que, para a maior parte delas, é algo fora do contexto.

Mas esta das taxações é uma batalha com os vizinhos Canadá e México, e que passa pelo Brasil, se estende por toda a Europa e chega à China. Assim como Trump, os dirigentes de todos esses países estarão defendendo os interesses de seus respectivos países. E é mais uma guerra com possibilidades de ir longe.