São péssimas as perspectivas que se apresentam para as populações de duas áreas que estão em guerra, Gaza e Ucrânia. Em Gaza, o Hamas segue incentivando o instinto belicista de Benjamin Netanyahu ao retardar uma negociação para a libertação dos reféns. Com isto, mesmo com a contrariedade de seu chefe de Segurança e do Exército Eyal Zamir, Netanyahu determinou o ataque para a tomada total de Gaza, o que já está representando um significativo número de mortes entre os civis palestinos.
Quanto à Ucrânia, está programada para amanhã, no Alasca, a reunião do presidente americano Donald Trump com o seu colega russo Vladimir Putin. Na pauta, a entrega de parte do território ucraniano para que haja o fim da guerra. Numa decisão que não contará com a presença do presidente ucraniano Volodimir Zelensky.
FUTURO
Não é possível discutir o futuro de um país sem que o mesmo esteja representado na negociação. Representantes da União Europeia seguem tentando mostrar esta realidade para Trump. O atual “dono do mundo” acenou com uma próxima reunião, então com a presença de Zelensky.
O que fica patente, no entanto, é que Trump quer forçar Zelensky a entregar os territórios pretendidos por Putin em troca do fim da guerra. Algo que não só o ucraniano não aceita, como de resto todos os membros da União Europeia. Não querem premiar um invasor e violentador dos preceitos das Nações Unidas, segundo os quais não é admissível a tomada de territórios pela força. Além do mais, que garantias teria a Ucrânia de que Putin iria parar por ali?
TOMADA
Já em Gaza tem-se uma situação diferente, porém, até mais dramática. Situação que começou em 7 de outubro de 2023, quando o Hamas fez um surpreendente ataque terrorista a Israel, matando cerca de 1.200 pessoas e sequestrando outras 250. Motivo para a ação que Israel vem desenvolvendo, no sentido de acabar com o Hamas, tomar todo o território para sua posterior entrega a um governo civil.
Em meio a isto, o mundo assiste consternado o massacre que estão sofrendo os civis palestinos, cujas mortes já passam de 60 mil, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas. Como os números são fornecidos pela organização terrorista, não são confiáveis. Porém, os números podem ser diferentes, mas a realidade o mundo está vendo, diariamente, pelas imagens que chegam de lá. Mortes, fome, sede e uma população que não sabe mais para onde fugir. Netanyahu determinou que os palestinos abandonem a região que está sendo atacada, mas ir para onde?
OCUPAÇÃO
A estas alturas, supõe-se que as forças de Israel irão até os últimos redutos do Hamas, o que pode significar não só a morte dos integrantes da organização, mas também dos reféns que ainda estão em posse deles. A não ser que haja uma operação muito especial, é improvável que consigam resgatar os reféns com vida.
Depois de tomar conta do território, Netanyahu pretende entregá-lo a uma administração civil. Só que não quer que seja nem o Hamas, o que me parece certo, e nem a Autoridade Palestina (AP), o que me parece errado. A AP, que dirige a Cisjordânia, é uma entidade moderada que reconhece Israel e defende a existência de dois estados, convivendo com fronteiras definidas e seguras. O fato é que o atual governo de Israel não quer nem saber dessa história de dois estados. Quer é ocupar as áreas dos palestinos, conforme já foi aprovado até pelo Parlamento, com a anexação da Cisjordânia. Porém, se torna cada vez mais evidente que, enquanto não for resolvido o problema palestino Israel não terá paz.
DESFECHO
É preciso considerar ainda quantos civis palestinos e ucranianos irão morrer, até que se tenha um término desses conflitos. Sim, porque salvo alguma mudança significativa de última hora tanto em Gaza quanto na Ucrânia, os combates continuarão. Há que considerar ainda que, embora palestinos e ucranianos sejam as maiores vítimas desses dois conflitos, temos tido também ao longo dos mesmos as mortes de civis israelenses e russos. Bom senso e moderação são outras vítimas dos conflitos.
