O presidente Donald Trump prometeu acabar com a guerra na Ucrânia logo que tomasse posse. Já estamos no quarto mês do ano e nada. E não foi por falta de tentativa. O que houve foi o erro de Trump em pensar que Putin iria ouvi-lo. Contrariando todas as expectativas, iniciou conversações com o presidente russo como se fosse seu amigo e iria lhe dar atenção, principalmente, pela proposta de fazer uma divisão, com a Rússia ficando com os territórios que quer tomar e os EUA com as riquezas minerais do país.
O que se vê, no entanto, é Putin incrementando seus ataques à Ucrânia, com fez neste fim de semana à capital, Kiev, matando 19 pessoas, sendo nove delas crianças. Trump resolveu reclamar de Putin que não estava interessado na paz.
RAZÕES
E estas ações de Putin na Ucrânia estão se dando por culpa de Trump. Mais especificamente, pelo fato de o dirigente norte-americano ter cortado a ajuda que os EUA vinham fornecendo à Ucrânia. Ora, se mesmo com a substancial ajuda da Europa e dos Estados Unidos a Ucrânia já estava com imensas dificuldades de conter as forças, isto se tornou impossível depois que Trump suspendeu essa ajuda. Até porque não era só em armamento e abastecimento, mas de logística, no que os norte-americanos são especialistas.
Ao anunciar as taxas sobre importações, que estão sacudindo o mundo, um dos raros países a ficar de fora foi a Rússia. Trump queria justamente agradar o seu companheiro Putin, mas este não foi na onda. O resultado é que a guerra continua, com a Rússia se sentindo mais vigorosa para atacar. E os ucranianos, que até aqui lutaram bravamente, ficam desamparados.
PERIGO
A Ucrânia, inclusive, acusou a Rússia de usar munição Cluster. Também chamadas de bombas de fragmentação, munições cluster se separam em dezenas de outras menores quando lançadas, espalhando-se por uma área extensa, o que pode ter um efeito devastador em uma região com grande concentração de pessoas.
Na medida em que a Rússia avança sobre o território ucraniano, aumentam as preocupações nos países vizinhos, sabedores das intenções do dirigente russo de reconstituir a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Não foi sem razão que a Polônia colocou sua aviação de prontidão, fazendo patrulhas aéreas junto à fronteira. Aliás, diante desta ameaça e do afastamento dos Estados Unidos da Otan, a Polônia decidiu investir 5% de seu PIB em defesa.
GUERRA II
Enquanto isto, segue repercutindo, e de forma muito intensa, a outra guerra desencadeada por Trump, a tarifária. Iniciativa que o bilionário norte-americano Bill Ackman denominou de guerra nuclear econômica mundial. E os resultados têm sido apavorantes. Só nestes dois últimos dias da semana que passou, as empresas com ações negociadas em Nova Iorque tiveram uma desvalorização de “apenas” 11 trilhões de dólares.
Os efeitos foram sentidos dentro da Casa Branca. Elon Musk, que não é membro oficial do governo, mas se constituiu num dos principais assessores de Trump, viu sua Tesla perder 18 bilhões de dólares. E o bilionário, que também é dono da Space X e do X, detonou o assessor de Trump encarregado da questão das taxações, Peter Navarro. Para Musk, “um doutorado em Economia em Harvard é algo ruim, não é algo bom”. O economista se defendeu dizendo que o magnata “não entende a mecânica de outros países que enganam os EUA comercialmente, com altas barreiras e dumping de produtos baratos”.
REFLEXOS
A abertura do mercado de ações norte-americano nesta segunda-feira já se deu sob o impacto negativo do fechamento das bolsas na Ásia, que acusaram baixa de 13,26% em Hong Kong, Taiwan 9,34%, Japão 7,68% e Seul 5,57%.
Assim é que, diante da perspectiva de uma maior inflação e, quem sabe, até de uma recessão, a população americana saiu às ruas no fim de semana e, dentre várias manifestações, foi pedido inclusive o impeachment do presidente Trump. E assim fica a expectativa se ele seguirá com sua determinação de taxar ou, se diante dos resultados adversos que estão vindo, irá mudar de ideia.
