Jurandir Soares

Radicalismo está vencendo

O radicalismo que deu origem aos conflitos na Ucrânia e em Gaza segue em vigência e, como consequência, seguem também as mortes de civis e soldados

Tanto na Ucrânia como em Gaza não se vê perspectiva de término do conflito. O radicalismo que deu origem a eles segue em vigência e, como consequência, seguem também as mortes de civis e de soldados. Um pequeno alívio foi dado nesta segunda-feira pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que, sob pressão, decidiu levantar o absurdo bloqueio de alimentos, água e medicamentos para os palestinos ilhados e sob bombardeios na Faixa de Gaza.

Já quanto à Ucrânia, não adiantou a conversa direta do presidente Donald Trump com seu homólogo russo, Vladimir Putin, estabelecida, por telefone, nesta segunda-feira. Assim, o republicano está longe de cumprir o que prometera, ou seja, de acabar com a guerra tão pronto assumisse o governo dos Estados Unidos. Com isto, a guerra, iniciada a 24 de fevereiro de 2022, quando a Rússia invadiu a Ucrânia, segue seu curso.

BLOQUEIO

Como segue sem perspectiva de um fim a guerra de Gaza. Nova reunião foi realizada nos últimos dias em Doha e nada foi resolvido. Assim, continua esta outra guerra, que foi iniciada a 7 de outubro de 2023, quando o Hamas realizou o cruel e bárbaro ataque terrorista a Israel, matando cerca de 1.200 pessoas e sequestrando cerca de 250. Destas, 58 ainda estão nas mãos dos terroristas, sem se saber quantas ainda estão vivas.

Esse ataque mergulhou a Faixa de Gaza e a vida dos palestinos ali radicados num inferno pelo tipo de reação de Israel. O número de civis mortos, segundo as organizações humanitárias que atuam na área, já chega a 53 mil. Só nesta semana teriam sido mortos mais outros quatrocentos, com predominância de mulheres, crianças e velhos. Uma ação arrasadora em termos de destruição de prédios e de vidas de civis.

INICIATIVA

Além de terem que estar permanentemente se deslocando de um lugar para outro para não levar bomba pela cabeça, esses palestinos estavam desde o dia 2 de março sem verem entrar na área qualquer suprimento, em termos de alimentos, água ou medicamentos. Até que, nesta segunda-feira, diante de pressões internacionais, principalmente dos presidentes Donald Trump e Emmanuel Macron, Netanyahu cedeu.

Um dos fatores que teria feito Netanyahu aceitar o restabelecimento da ajuda humanitária, seria a disposição do presidente Macron de, se isso não fosse feito, liderar uma coalizão de países que reconheceriam unilateralmente um Estado Palestino. Aliás, a concretização desse estado só poderá sair com uma medida dessa natureza. Porque numa negociação com os atuais dirigentes de Israel isto é impossível. O problema, no entanto, é que, diante do avanço das forças israelenses e das intenções dos atuais governantes, nem se sabe se os palestinos continuarão a viver em Gaza.

RESPALDO

E este avanço atual de Israel, na operação chamada de Carros de Gedeão, está implicando a obrigação aos palestinos de abandonarem até a cidade de Khan Yunes. Diante disto, segundo o portal Axios, o vice-presidente norte-americano, J. D. Vance, teria cancelado sua ida a Israel. A decisão do vice seria para evitar que sua visita fosse vista como um respaldo à operação de Israel.

O que está se percebendo é que a atual administração de Israel parece estar perdendo o apoio dos EUA, que até há pouco era irrestrito. Basta observar que o presidente Trump fez na semana passada um giro pelo Oriente Médio e não passou por Israel. E mais: fez um acordo com os Houthis do Iêmen para não bombardearem mais os navios que trafegam pelo Mar Vermelho e não inclui o término dos ataques a Israel.

CAUSAS

Não menos complicada é a situação da Ucrânia, especialmente, diante das diferenças de posições dos dirigentes dos dois países em conflito. Segundo foi noticiado, em sua conversa com Trump, Putin disse estar pronto para trabalhar em um “memorando de acordo de paz” com os ucranianos, mantendo a posição de só aceitar um cessar-fogo quando o que considera “as causas do conflito” for negociado. Ou seja, manter a Ucrânia neutra militarmente e tomar para si as áreas que anexou ilegalmente em 2022, condições mínimas que já havia divulgado.

A neutralidade militar da Ucrânia até é possível. Desde não haja obstrução à sua entrada na União Europeia. Agora, a Rússia tomar os lugares que invadiu equivale a premiar o invasor. O pior é que, para acabar com esta guerra, não se vê outro caminho.

Enfim, em ambos os casos só vemos o radicalismo aumentando.