Jurandir Soares

Ressurge Reza Pahlevi

Hoje, quando o Irã está mergulhado em protestos, o filho do antigo monarca articula dos Estados Unidos um movimento pela deposição do regime

Nos anos finais da década de 1970, o aiatolá Ruhollah Khomeini comandava de Paris um movimento de resistência contra o xá Muhammad Reza Pahlevi, então o homem todo poderoso do Irã. O movimento atingiu seu ponto culminante quando, em setembro de 1979, a monarquia foi destituída, Reza Pahlevi refugiou-se no Egito e Khomeini pilotou a implantação da República Islâmica do Irã, sob seu comando e o apoio dos aiatolás fundamentalistas.

Hoje, quando o Irã, pilotado pelo aiatolá Ali Khamenei, está mergulhado em protestos, o filho do antigo monarca, também chamado Mohammad Reza Pahlevi, articula dos Estados Unidos um movimento pela deposição do regime. Os apelos de Reza Pahlevi são retransmitidos por canais noticiosos, por satélite e por sites Web no estrangeiro, incitando os manifestantes de todo o país a saírem às ruas.

PROTESTOS

Os protestos têm enfrentado a repressão do regime que, de 28 de dezembro último para cá, segundo a organização Iran Human Rights, sediada na Noruega, já provocou a morte de mais de 600 pessoas e as prisões de cerca de 20 mil. Dentro da sua retórica belicista, o presidente Donald Trump ameaça dar ajuda aos que protestam, o que gera mais ódio nos integrantes do regime.

A resposta aos acenos de Trump veio ameaçadora. Com a declaração de que o Irã atacaria bases americanas no Oriente Médio e o território de Israel. Ora, parece que não lembram da guerra que travaram contra Israel, em junho de 2025. Na ocasião, forças israelenses bombardearam diversos alvos no território iraniano, enquanto a aviação americana dizimou as instalações nucleares do país. Foi pelo menos adiado o sonho iraniano de ter a bomba atômica.

OPOSITOR

Mas, voltando à figura do líder oposicionista no exílio, trata-se de alguém que foi estudar nos EUA quando tinha 17 anos para frequentar um curso de pilotagem militar e, dois anos depois, acompanhou pelos noticiários a deposição de seu pai e a fuga de sua família. Vale lembrar que embora Reza Pahlevi pai tenha mantido os costumes abertos, ao estilo ocidental, também foi um repressor.

E o questionamento agora é sobre que papel pretende desempenhar Reza Pahlevi filho se, por acaso, o movimento que lidera venha a ter sucesso. Em entrevista à Euronews, ele disse que, embora reconheça que a história da sua família está intimamente ligada à monarquia, sublinha que, pessoalmente, não procura o poder ou uma posição política oficial, nem pretende reclamar um título específico. O seu objetivo declarado é assegurar que os iranianos possam determinar livremente a natureza da sua futura ordem política.

COMBATE

Vale dizer que Reza Pahlevi filho concluiu os cursos que o habilitavam a pilotar aviões de combate. Numa entrevista, declarou que, durante a Guerra Irã-Iraque, motivado pelo que descreveu como um “dever nacional e patriótico”, enviou uma carta pela Embaixada da Suíça no Cairo, aos Chefes de Estado-Maior das Forças Armadas iranianas, oferecendo-se para servir como piloto de caça. A carta nunca recebeu resposta. Hoje, aos 65 anos, ele tenta comandar de longe o movimento pela deposição do regime dos aiatolás.

REGIME

O regime implantado por Khomeini é um dos mais retrógrados que existem. As mulheres, que já experimentaram um estilo de vida ocidental, com todas as liberdades, passaram a ser obrigadas a usar o véu islâmico cobrindo toda a cabeça. Nunca esquecendo o caso da jovem Mahsa Amini, então com 22 anos, que foi presa em setembro de 2022 por não estar usando adequadamente o véu e acabou morrendo pela truculência policial. Quanto aos homens, quem é apanhado contestando o regime acaba na prisão ou na forca.

Daí o fato de o movimento rebelde ganhar apoio externo. Por enquanto, apenas em termos de sanções econômicas que são impostas ao regime, porém com a perspectiva de a Força Aérea dos EUA entrar mais uma vez em ação. Diante deste quadro, o ministro de Relações Exteriores, Abbas Araghchi, declarou que o país está preparado tanto para a guerra quanto para as negociações, utilizando a estratégia de dissuasão diante da pressão internacional.