O tão esperado e badalado encontro entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Rússia, Vladimir Putin, para discutir a questão da Ucrânia, teve sua realização nesta sexta-feira, em Anchorage, no Alasca, com muita pompa e circunstância. Conforme seria de se esperar de um encontro entre os homens que hoje são os dois mais poderosos do mundo. Tanto que o futuro de um país, no caso a Ucrânia, ficou nas mãos deles.
“O objetivo não é fechar um acordo em nome da Ucrânia, mas, trazer Putin para a mesa de negociação”. Esta frase pronunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao partir para o Alasca, gerou um grande alívio tanto na Ucrânia quanto na Europa. O medo que imperava antes da reunião era de que o encontro entre o americano e o russo Vladimir Putin resultasse numa mudança do mapa da Ucrânia.
Sempre é importante lembrar que o objetivo de Putin ao iniciar a guerra, em 24 de fevereiro de 2022, era tomar as quatro províncias que havia declarado, unilateralmente, independentes: Donetsk, Lugansk, Zaporizhzhia e Kherson. E também ficar com a Crimeia, que ele já havia tomado em 2014. Além disto, Putin não aceitava o ingresso da Ucrânia na Otan por rejeitar a presença junto à sua fronteira de uma força opositora.
HITLER
A contestação a esta entrega de territórios é mantida até hoje, não só pela Ucrânia, mas por todos os 27 integrantes da União Europeia. Entendem que este poderia ser um primeiro passo para posteriores novos avanços da Rússia. E invocam para isto a memória da Segunda Guerra, quando o então primeiro ministro britânico Arthur Charberlain resolveu entregar para Hitler os Sudetos – territórios que envolviam partes da então Tchecoslováquia e da Polônia – para pôr fim à guerra. Pois foram entregues os territórios e Hitler seguiu em frente, dando no que deu.
Neste contexto, é importante lembrar que Putin é um saudosista da antiga União Soviética. Período em que a Rússia exercia o controle sobre mais de 15 países de sua vizinhança. Inclusive sobre toda a Europa Oriental. Não é sem razão que o chanceler russo, Serguei Lavrov, chegou a Anchorage vestindo uma jaqueta com as letras CCCP, que em russo significa União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Pois, nos últimos anos, Putin tem tentado colocar em prática seu objetivo. Trouxe para seu lado a Belarus, ajudando o ditador Aleksander Lukashenko a sufocar os movimentos populares que visavam aliar o país ao Ocidente.
Afinal, para todos eles está muito presente o crescimento que tiveram países que antes eram dominados por Moscou, mas que, desde a queda da URSS, passaram a fazer parte da União Europeia, como Polônia, Hungria, Romênia, Bulgária, Tchéquia etc.
AMPLIAÇÃO
Na Ucrânia Putin chegou a ajudar a colocar no poder um seu aliado, Viktor Yanukovych, que foi deposto e preso, condenado que foi de alta traição. Não se pode esquecer também que a guerra na Ucrânia foi criando, aos poucos, o temor de um avanço em direção a uma guerra generalizada, envolvendo a Rússia e a Otan. Este temor foi amenizado depois que Trump assumiu a presidência dos EUA, pois sua primeira atitude foi suspender a ajuda que seu país mandava para a Ucrânia. E com isto foi mudando também a perspectiva de que o governo de Volodimir Zelensky conseguisse expulsar as forças russas de seu território.
MUDANÇA
Trump passou a falar em agir junto a Putin para terminar com a guerra e chegou ao ponto de humilhar Zelensky ao recebê-lo na Casa Banca. No decorrer dos dias, Trump se deu conta de que não seria tão fácil convencer Putin como ele previa. Teve que passar da conversa otimista para as ameaças de mais sanções a Moscou. Trump chegou a estabelecer a sexta-feira, dia 8, como prazo para Putin declarar um cessar fogo. Caso não acontecesse, seriam estabelecidas sanções secundárias para quem compra da Rússia. Foi aí que surgiu a possibilidade desta cúpula do Alasca, dando novo rumo aos acontecimentos.
