Desde a tomada do poder na Síria pelo Movimento de Libertação do Crescente, liderado por Ahmed al-Shara, praticamente não se tem mais ouvido falar naquele país, o qual estava permanentemente nos noticiários em virtude da guerra civil e das atrocidades do governo de Bashar al-Assad. E o que se temia era que a violência no país tivesse sequência sob o impulso dos novos ocupantes. Felizmente, o que se tem é calma.
Logo que assumiu, pouco antes do Natal, al-Shara se reuniu com os representes das religiões que são minoria na Síria, com a cristã e a alauita, e garantiu-lhes segurança e tranquilidade para as celebrações natalinas. O que realmente aconteceu.
VIZINHOS
E mais, o novo líder, ao receber o representante da comunidade judaica, transmitiu a Israel sua intenção de viver em paz com o seu vizinho. Algo até há pouco inimaginável. E algo da mais alta importância para Israel, pois, ao invés de ter junto à sua fronteira um aliado do arqui-inimigo Irã, tem um regime que também é hostil ao governo dos aiatolás. É claro que ainda é muito cedo, que ainda há muita desconfiança com as novas lideranças sírias, mas os indícios são positivos. Pelo menos por enquanto.
Estes sopros positivos chegaram até a Arábia Saudita, a qual promoveu no fim de semana uma reunião de países árabes e representantes da União Europeia. A pauta, o pedido do levantamento pelo Ocidente das sanções econômicas impostas à Síria. E uma aliança com os sauditas é muito boa não só para a Síria, mas também para Israel, tendo em vista que a Arábia Saudita é inimiga do Irã. E é importante lembrar que essas sanções foram impostas pelo Ocidente ao tempo do governo de Bashar al-Assad, pela repressão que exercia sobre seus opositores.
LÍBANO
E esses indícios positivos ganharam força nos últimos dias pelo fato de o Líbano, finalmente, ter escolhido um novo presidente. E o escolhido é uma autoridade de peso, o general cristão maronita Joseph Aoun. O qual tratou logo de ir à Síria para encontrar-se com al-Sharaa. Afinal, Líbano e Síria são dois países historicamente aliados. Ele também tratou de escolher um novo primeiro-ministro. O escolhido, nesta segunda-feira, foi o juiz presidente do Tribunal Internacional de Justiça em Haia, Nawaf Salam, que estará encarregado de formar um novo governo.
HEZBOLLAH
Uma das notícias positivas transmitidas pelo general Aoun foi de que o Hezbollah está sob o controle das Forças Armadas libanesas. Algo que há muito não acontecia. Isto se deve a dois fatores. O primeiro e principal deles é a desestruturação do grupo causada pelas ações do Exército de Israel. O grupo perdeu suas principais lideranças, assim como boa parte dos seus efetivos e de seus equipamentos. Ficou reduzido a um movimento insignificante. Outro fator foi a reestruturação que o novo presidente libanês promoveu no exército de seu país. Um exército que ele conseguiu fazer com que ficasse de fora dos combates entre Israel e o Hezbollah, apesar dos 40 soldados que morreram como vítimas indiretas do conflito.
GAZA
Outra perspectiva que surgiu no cenário do Oriente Médio é da libertação dos reféns que estão em poder do Hamas, em Gaza. Esta libertação passa, logicamente, por um acordo de cessar-fogo, o que já está mais do que na hora de acontecer. Pelo menos esta é a informação transmitida pelo emissora israelense Canal 12 e pelo portal saudita Al-Arabyia.
Segundo as mesmas informações, 94 dos 251 sequestrados pelo Hamas ainda estão em poder do grupo, sendo que 34 estariam mortos. A permuta, como sempre acontece, envolve a libertação de um grupo muito maior de palestinos que estão presos em Israel. Muitos deles acusados de atos de terrorismo.
UNIÃO
O curioso é que nestas negociações que se desenvolvem no Catar, estão presentes representantes do atual e do futuro governo dos Estados Unidos. Por parte do governo Biden está o conselheiro de Segurança Jack Sullivan, enquanto Trump mandou Steve Witkoff. O fundamental é que coloquem fim a essa cruel guerra que já vitimou mais de 45 mil civis. Assim é que nesse convulsionado Oriente Médio, de tantas rivalidades e de tantas guerras, começam a surgir alguns sopros de esperança de alguns entendimentos e, por consequência, de alguns dias melhores.
