A guerra que vem sendo travada em Gaza deixa a impressão de que é impossível uma convivência pacífica entre israelenses e palestinos, tamanha a rivalidade e ódio imperante. A realidade mostra que esses preceitos podem ser derrubados, podendo haver uma convivência pacífica entre os dois povos. E, mais do que isto, uma cooperação para crescimento de ambos. Exemplo prático, a startup israelense NoledgeLoss, que tem como fundadores a engenheira de software palestina Enas Awwad, de 29 anos, muçulmana ortodoxa, nascida na Cisjordânia, e o engenheiro industrial Tal Givani, israelense judeu de 33 anos, casado e pai de uma filha recém-nascida. Mesmo sendo de origem de povos que estão em guerra, eles deixam de lado essas diferenças e dividem sua paixão em comum pela tecnologia, descoberta quando ambos estudavam em Boston, nos Estados Unidos.
EXPERIÊNCIA
Quem nos faz o relato dessa extraordinária experiência é a dra. Dana Lilian Revi, CEO da Universidade Hebraica de Jerusalém para o Brasil. Ela, que é nascida em Tel Aviv, morou por 31 anos no Brasil e hoje está estabelecida nos EUA. Mas cuidando dos assuntos no Brasil, tanto que promoveu a vinda ao país dos fundadores da NoledgeLoss. Dividiram o palco de inovação pela paz, promovido em São Paulo pelos Amigos Brasileiros da Universidade Hebraica de Jerusalém. Objetivo, mostrar como a inovação consegue construir pilares para o mundo. “Não são somente ideias disruptivas que movimentam a inovação, mas sim pessoas diferentes que estabelecem elos de comunicação, gerando uma ligação entre lados que são difíceis de serem conectados”, diz ela.
REALIZAÇÃO
A dra. Revi explica que a startup desenvolveu e comercializa uma solução via IA, Inteligência Artificial, que ajuda as empresas a não perder dados importantes e cruciais compartilhados pelos colaboradores, caso eles se desliguem da empresa. Algo muito importante, especialmente neste momento de guerra, quando os dois sócios não conseguem nem se encontrar presencialmente. Apesar das dificuldades, a empresa tem chamado a atenção do mundo e atraído investidores. Recentemente, o diretor executivo da Techstars Tel Aviv, Guy Israeli, fez um aporte de 120 mil dólares na empresa.
ACORDOS DE ABRAHÃO
Estes acordos foram lançados pelo então presidente dos EUA Donald Trump, com o objetivo de unir Israel com o mundo árabe, para promover a paz e o desenvolvimento regional. Unindo o capital árabe e a tecnologia de Israel seria possível promover o crescimento da região e transformar a Palestina numa espécie de Vale do Silício. A dra. Dana Revi conta que um jovem palestino, morador da Cisjordânia, chamado Bashar Masri, já aproveitou os benefícios dos Acordos de Abrahão e criou, junto a Ramallah, uma cidade de inovação, que ganhou o nome de Hawabi. Ali vivem cerca de 6 mil palestinos que prestam, on-line, serviços para empresas israelenses. Segundo ela, são pessoas que querem viver em paz e em cooperação para o crescimento.
A CEO da Universidade Hebraica de Jerusalém ressalta que estes casos se destacam não só pela inovação, mas por quebrar barreiras, unindo forças para um mundo melhor. “Tão diferentes entre si, eles deixaram de lado os preconceitos, compartilhando suas visões, promovendo a tecnologia pela paz.” Uma visão que se enquadra nos preceitos de que é possível uma convivência pacífica entre o Estado de Israel e um futuro Estado da Palestina.
