Esta semana não poderia ser pior para a Ucrânia. Ficou sob intenso bombardeio aéreo da Rússia, - no domingo, 29 de junho, ocorreu o maior ataque com drones e mísseis nos quase três anos e meio de guerra - viu as forças de Vladimir Putin consolidarem o domínio sobre Lugansk e ouviu o presidente Donald Trump anunciar o cancelamento do envio de sistemas defensivos de que o país necessita. Vale lembrar que na sexta-feira, 27 de junho, por ocasião da reunião da Otan, em Bruxelas, Trump ouviu de uma jornalista ucraniana, cujo marido está na guerra, o desesperado pedido de envio para seu país de sistemas antimísseis Patriot. Trump deu a entender que iria atendê-la.
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Pois bem, na terça-feira, 1º de julho, Trump anunciou a suspensão do envio de armas consideradas vitais para a Ucrânia combater a invasão russa, como mísseis antiaéreos do sistema Patriot, modelos disparados pelos caças F-16, e munição de precisão guiada. Segundo o que a Casa Branca divulgou, a decisão foi tomada devido aos baixos estoques desses armamentos no arsenal americano.
Tristeza de um lado, alegria de outro. Em Kiev, a medida caiu como uma bomba. Já o Kremlin comemorou. "Quanto menos armas forem entregues, mais rapidamente o conflito irá acabar", disse o porta-voz do governo russo, Dmitri Peskov. Claro, uma Ucrânia sem armamentos defensivos facilita o avanço russo rumo à tomada dos territórios que, em setembro de 2022, Vladimir Putin declarou como independentes: Lugansk, Donetsk, Kherson e Zaporizhzhia, e que estavam sendo incorporadas à Rússia.
INVASÃO
"Há apenas dois dias um relatório foi divulgado dizendo que o território da República Popular de Lugansk foi completamente liberado, 100%", disse ao estatal Canal Um na noite de segunda (30 de junho) Leonid Pasetchnik, o governador da região indicado pelo Kremlin, usando a nomenclatura oficial russa para a região.
Na realidade, já há meses a Rússia controlava mais de 90% do território, que equivale a 4,2% do território reconhecido da Ucrânia — incluindo aí a Crimeia, anexada por Putin em 2014. Hoje, segundo o site de monitoramento ucraniano DeepState, referência no tema, 19% do país está sob ocupação russa, contando também os 7,3% da península da Crimeia. Em Zaporíjia e Kherson, que ao sul formam a ponte terrestre entre a Rússia e a Crimeia, o controle é de pouco mais de 75%, mas lá a tomada total é dificultada pela barreira natural do rio Dniepr.
RENDIÇÃO
O que a Rússia espera é uma rendição da Ucrânia. O que até agora não aconteceu devido à substancial ajuda bélica que o país tem recebido dos aliados ocidentais. Só que, quem fornecia a maior parte desta ajuda eram os Estados Unidos. Com o corte de Trump, por mais que a Europa aumente sua contribuição, será muito difícil resistir.
De sua parte, Trump tem dado a entender que concorda com as pretensões de Putin. Entende que os territórios são mesmo da Rússia e que Volodimir Zalensky os deve entregar para acabar com a guerra. Posição contrária à da Europa, que entende que a Rússia, ao aceitar a independência da Ucrânia, em 1991, concordou com a integridade do território. Para a Europa, a tomada de territórios pela força contraria os preceitos estabelecidos pelas Nações Unidas, ao final da Segunda Guerra.
DISTANCIAMENTO
Assim, o que se percebe é um distanciamento entre os EUA e seus parceiros europeus. Aliás, não é sem razão que, por ocasião de sua mais recente reunião, a Otan deixou claro que tem que tratar de sua própria defesa, sem ficar na dependência dos EUA. E a Alemanha informou que está em negociações para a compra de sistemas de defesa aérea Patriot para entregar à Ucrânia.
Enquanto isto, a realidade para a Ucrânia é trágica. Os informes das agências internacionais dizem que “nesta sexta-feira, 4, a Rússia realizou o maior ataque com drones contra a capital, Kiev”. Mesmo assim, Zelensky não desiste. Falou com Trump nesta sexta-feira, 4, o que ocorre um dia depois de Trump dizer que “teve uma conversa decepcionante com Vladimir Putin”. Seria hora de Trump rever seu conceito sobre o apoio à Ucrânia. Porém, Zelensky demonstrou não levar fé em uma mudança no posicionamento de Trump que, claramente, é de abandonar a Ucrânia.
