Nos últimos dias o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, estiveram em confrontação verbal. Tudo pelo habitual destempero de Trump que resolveu anunciar que queria anexar o Canadá como 51° estado norte-americano. E, ao mesmo tempo, chamou Trudeau de governador. Fato que, logicamente, mereceu a repulsa não só do primeiro-ministro, mas da população canadense, que, em sua grande maioria, está muito feliz no país em que vive.
Pois, nesta segunda-feira, Trump e Trudeau vieram novamente para os noticiários, porém por motivos bem diversos. Trump recebendo sua certificação como novo presidente dos Estados Unidos e Trudeau anunciando sua renúncia ao posto de chefe de governo do Canadá.
INVASÃO
A certificação de Trump trouxe à lembrança o episódio deste mesmo 6 de janeiro, porém de quatro anos atrás, quando os partidários do então derrotado candidato à reeleição invadiram a sede do Capitólio para impedir a certificação de Joe Biden. O próprio Trump, instalado na Casa Branca, não só apoiou o movimento como também intercedeu junto ao seu vice-presidente, Mike Pence, que presidia a sessão do Congresso, para que não ratificasse a diplomação. Pence, numa demonstração de cumpridor dos deveres do cargo e dos preceitos democráticos que regem o país, não ouviu Trump e cumpriu a formalidade do ato.
É sempre importante lembrar que quatro anos antes, quando Trump fora eleito presidente, sua opositora Hillary Clinton obteve 3 milhões de votos populares a mais, porém perdeu no Colégio Eleitoral. No entanto, apesar do resultado, não houve a mínima contestação do resultado, mas o cumprimento dos preceitos eleitorais.
PODER
Agora Trump deve assumir o poder em condições bem mais favoráveis do que na outra ocasião. Não só pela enorme diferença de votos que teve com relação à sua opositora Kamala Harris, mas, principalmente, porque terá maioria na Câmara dos Representantes e no Senado. E terá também um gabinete bem mais qualificado que o anterior. Inclusive com a presença marcante e controversa do bilionário Elon Musk, que estará encarregado da Secretaria de Eficiência.
No entanto, Trump ainda terá uma preocupante decisão pela frente, a ser anunciada nesta sexta-feira, dia 10. Trata-se da sentença sobre sua condenação no caso da falsidade fiscal com o pagamento à atriz pornô Stormy Daniels. Uma condenação à prisão antes da posse seria uma tragédia para o país. Daí a se deduzir que, como em outros casos, Trump escapará, pagando apenas uma multa.
CANADÁ
Quanto a Trudeau, ele anunciou que está demissionário, mas ficará no cargo até a indicação do sucessor. O governo de Trudeau tem se destacado por uma política que defende de maneira muito forte a igualdade de gênero – tanto que o gabinete é composto por 15 homens e 15 mulheres –, defende a igualdade racial, a imigração e o pleno respeito aos povos originais. É curioso que em qualquer evento tem sempre uma referência aos povos originais.
O Canadá é a 11ª economia do mundo, o segundo país em extensão territorial e tem uma população de apenas 33 milhões de pessoas. Por isto tem facilitado a imigração, especialmente, de profissionais capacitados, assim como de investidores. Nesse particular, a predominância é de indianos e de chineses. A presença brasileira também é bem significativa.
ABALO
É preciso ressaltar que Trudeau está há dez anos no cargo e, como tal, está sofrendo o desgaste do longo período. Conseguiu implantar um sistema de Bem-Estar Social semelhante ao Welfare State dos países escandinavos. O atendimento da saúde, por exemplo, é de alta qualidade e totalmente público.
O desgaste de Trudeau, no entanto, começou na época da pandemia da Covid-19, no início de 2022. Ele defendeu medidas restritivas como lockdowns e obrigatoriedade de vacinas e foi enfrentado por manifestantes que bloquearam cidades e pontes ligando os EUA. Somam-se a isto a inflação que subiu muito nos últimos tempos, assim como o preço das moradias. Algo muito elevado no país.
TROCA
Assim é que, enquanto Trump está voltando, Trudeau está saindo. Só que o republicano cumpre seu segundo mandato e não poderá mais se candidatar à presidência. Enquanto Trudeau, nos seus 53 anos, poderá muito bem retornar ao poder em ocasião futura, o que é permitido pelo sistema parlamentarista canadense.
