A dedução que se tira do debate desta quinta-feira entre o presidente Joe Biden e o ex-presidente Donald Trump é de que, salvo uma mudança brusca nos acontecimentos, o republicano sedimentou seu caminho para retornar à Casa Branca. Basta ver o que indicou a pesquisa realizada pela CNN logo que finalizou o debate e que apontou que 63% dos entrevistados consideraram que Trump foi melhor, contra 33% para Biden. E a vitória de Trump se deu muito mais por fraquezas de Biden do que por seus méritos.
Ficou flagrante aquilo que vem-se notando ultimamente com relação a Biden, ou seja, a sua lentidão de movimentos e de raciocínio, suas expressões aéreas e sem conexão. Tudo isto facilitou para Trump, muito embora este tenha se valido de sua verborragia, com afirmações sem qualquer comprovação, como a de que “os Estados Unidos estão recebendo o maior número de terroristas de sua história”. E mais, que os imigrantes estão matando os cidadãos norte-americanos. Ora, sabe-se bem que o imigrante vai para os Estados Unidos em busca de trabalho, de melhores condições de vida. O que, de fato, acabam conseguindo, em sua grande maioria.
SUBSTITUIÇÃO
Quando Joe Biden assumiu a presidência, em janeiro de 2021, já se aproximando dos 80 anos, acreditava-se que cumpriria um mandato e passaria a bola para sua vice Kamala Harris, bem mais nova, para ser a candidata democrata na eleição deste ano. O problema, no entanto, é que Kamala não decolou. Ficou num ostracismo. Permitindo que Biden, mesmo com suas debilidades cada vez mais evidentes, se tornasse o candidato à reeleição.
Agora, não dá para entender a falta de ação do partido Democrata em buscar um outro nome para concorrer com Trump. Um nome que parecia evidente é o de Hillary Clinton. Afinal, ela concorreu com Trump em 2016 e conquistou mais votos de eleitores do que o republicano. Este ganhou porque conseguiu mais votos no colégio eleitoral, um diferencial que existe na eleição americana. Mesmo com três mil votos a mais, Hillary perdeu. Aos 76 anos e ainda com muita vitalidade, ela poderia ser a candidata democrata.
Outro nome que os democratas perderam é o de Robert Kennedy Jr., filho de Bob Kennedy, que foi secretário da Justiça no governo do seu irmão John F. Kennedy. Tal como o irmão, Bob foi assassinado. Bob Júnior seria um nome de expressão e de tradição na vida política norte-americana. O partido o desprezou e ele está concorrendo como independente.
MUDANÇAS
Com Trump a política externa dos Estados Unidos deverá sofrer algumas mudanças. E estas dizem respeito, principalmente, para com a Europa. Ainda durante seu mandato Trump cobrava dos seus parceiros europeus da OTAN reciprocidade nos gastos militares. Cobrava que cumprissem o compromisso por todos assumido de destinar 2% do PIB para a Aliança Atlântica. Poucos cumpriam isto. E isto, seguramente, estará na pauta de Trump como presidente.
Outra cobrança que ele fará, conforme salientou durante o debate, será igualdade no encaminhamento de ajuda para a Ucrânia. Aliás, havia o temor de que ele deixasse de lado a ajuda ao governo de Volodimir Zelensky. Ele disse que continuará dando ajuda, mas quer que a Europa, que diz ter unida o mesmo PIB dos EUA, mande igual valor. E justo a propósito de Ucrânia fica a curiosidade. Afinal, também durante o debate ele desqualificou as propostas de terminar a guerra, feitas tanto por Zelesnky como por Vladimir Putin. Fica a curiosidade sobre qual será sua proposta.
NR: O jornalista Jurandir Soares está entrando em férias. Sua coluna retorna em 23 de julho.
