Jurandir Soares

Trump muda e ajuda a Ucrânia

Após abandonar Kiev, o presidente dos EUA anunciou que iria mandar os sistemas antimísseis Patriot, no momento em que o conflito com a Rússia avança perigosamente

No último fim de semana esta coluna teve o título: “Trump abandona a Ucrânia”. Pois não passou uma semana e tivemos mudança radical de posição por parte do presidente dos Estados Unidos. Nesta terça-feira ele anunciou que iria mandar para a Ucrânia os sistemas antimísseis Patriot que o país tanto necessita. A justificativa parece demonstrar ingenuidade de Trump ao dizer: “Estou decepcionado com Vladimir. Acho que ele não quer o fim da guerra”. Ora, qualquer pessoa percebe que o dirigente russo não vai parar até conseguir tomar a região Leste da Ucrânia. A não ser que seja repelido por força de uma resistência muito forte. E esta passa, evidentemente, pela ajuda norte-americana.

ATAQUES

Isto acontece no momento em que o conflito avança perigosamente e a Ucrânia sofre o maior ataque aéreo da história da guerra. No fim de semana passado, a Rússia havia lançado 539 ataques de mísseis ou drones. Pois, nesta terça-feira, o número chegou 728 desses artefatos lançados contra o território ucraniano.

E a novidade: agora os ataques russos não se concentram na região do Donbas, ou seja, do leste que querem tomar, mas, à parte oeste do território ucraniano, próximo à fronteira com a Polônia. Fato que fez com que, nesta terça-feira, a Polônia mobilizasse sua Força Aérea, para a necessidade de uma intervenção. Aliás, o país da região que mais teme uma invasão russa é a Polônia. Não é sem razão que antes mesmo da decisão da Otan, o país já decidiu aplicar 5% de seu PIB na área da Defesa.

A mobilização da Força Aérea polonesa já deixa evidente o perigo que há de a guerra sair do território ucraniano e ir para a vizinhança. E, neste caso, não se pode esquecer que a Polônia é membro da Otan, o que significa que, se entrar na guerra, todos os demais membros da organização Atlântica terão que entrar juntos. Ou seja, guerra total.

CONFRONTO

O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, denunciou "um ataque revelador" que mostra a recusa da Rússia em negociar um cessar-fogo enquanto, o Exército russo continua avançando na frente oriental. O que não é novidade. Só Trump e Zelensky têm a expectativa de que Putin pare a guerra e venha para uma mesa de negociação. Ele quer é, não só continuar, como, dentro do possível, incrementar seus ataques, como tem feito nos últimos dias. O que se dá pelo fato de a Rússia ter conquistado, na semana passada, a cidade de Zaporizhia, que é uma das quatro que compõe a província do Donbas, região que Putin declarou, unilateralmente, independente, em setembro de 2022.

AJUDA

A Ucrânia perdeu força e viu a Rússia avançar nas últimas semanas justamente pelo corte na ajuda dos EUA que havia sido decretado pelo governo Trump. Ao tempo de Joe Biden a ajuda era consistente e permitiu, inclusive, que a Ucrânia avançasse sobre o território russo de Kursk. A propósito, as forças ucranianas foram expulsas dali por uma ação do exército russo que contou com a substancial ajuda de soldados norte-coreanos.

Os sistemas a serem fornecidos pelos EUA permitem a defesa, a intercepção de mísseis e drones. Porém, a Ucrânia precisa atacar e, neste ponto, o substancial apoio veio da Alemanha, que autorizou o uso de suas armas dentro do território russo. Aliás, a Alemanha tem sido o país para incisivo na crítica a Putin e no apoio à Ucrânia. Na sequência, vem a França.

CONDENAÇÃO

No âmbito Jurídico, mais uma condenação contra a Rússia. Sempre lembrando que Vladimir Putin não pode sair do país, sob pena de ser preso por ordem do Tribunal Penal Internacional. Pois, agora acontecem mais duas condenações contra o país. Uma, do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos que decidiu nesta quarta-feira (9), que a Rússia violou o direito internacional na guerra da Ucrânia, tornando-se a primeira corte internacional a responsabilizar Moscou por abusos de direitos humanos no conflito.

A outra decisão, também tomada pela Corte de Estrasburgo, afirma que a Rússia está por trás da queda da aeronave da Malaysia Airlines, derrubada em 2014, na Ucrânia, um incidente que causou a morte de 298 passageiros e tripulantes. São decisões que não tem efeito prático, especialmente, a que toca a direitos humanos, porém, a que toca ao avião da Malaysia Airlines dá margem aos familiares das vítimas a reivindicar indenização. Mas, o que também não quer dizer garantia de recebimento, conhecendo-se como as coisas são resolvidas na Rússia. Porém, o fundamental no atual contexto é que os EUA não deixaram a Ucrânia desamparada.