Jurandir Soares

Trump, o autoritário

Presidente americano passa por cima das autoridades de governadores e prefeitos

Depois de abalar o comércio mundial com suas taxações – com reflexos negativos inclusive nos Estados Unidos – o presidente Donald Trump está usando seu autoritarismo para questões internas de seu país. Tudo com base em sua afirmação: “Eu tenho o direito de fazer o que quiser, pois sou o presidente dos Estados Unidos”. Ou seja, está declarando que não existe sequer uma Constituição do país que ele tenha que obedecer.

Suas ações agora têm ido desde o envio de forças de segurança para determinadas cidades, contrariando os administradores locais, até a demissão de uma diretora do Federal Reserve, o Banco Central norte-americano, em ato que, pela legislação, não cabe ao presidente do país.

INTERESSE

Trump está de olho nas eleições de meio de mandato, onde, tradicionalmente, o partido que está no governo é perdedor. Para tentar reverter este histórico ele está apostando na questão da violência urbana. Com isto está passando por cima das autoridades de prefeitos e governadores. Isto num país que é uma federação, onde cada unidade tem sua legislação própria.

Nesse intento, é marcante a atitude que tomou com relação à capital federal, Washington, para onde anunciou a ida da Guarda Nacional com o objetivo de tomar o controle da polícia local, numa cidade em que os indicadores têm registrado diminuição dos números da violência nos últimos anos.

Com relação ao Fed, já que não conseguiu tirar o presidente Jerome Powell, que bateu de frente com ele, tentou desbancar a diretora Lisa Cook. Que também está resistindo às investidas que, em última análise, visam forçar a baixa nas taxas de juros.

GROENLÂNDIA

Mas as ações autoritárias de Trump não têm ficado apenas no âmbito interno. Vale lembrar suas declarações de transformar o Canadá no 51º estado norte-americano, assim como tomar a Groenlândia. O Canadá, através do novo primeiro-ministro Mark Carney, deu um chega pra lá nele e mostrou sua independência. Quanto à Groelândia, os indicativos são de que a vontade de tomar a ilha permanece.

A televisão pública dinamarquesa informou nesta quarta-feira, 27, que pelo menos três funcionários do governo americano, próximos a Trump, estariam envolvidos em supostas operações de influência, voltadas a promover uma separação entre a Groenlândia e a Dinamarca, para benefício dos EUA. Segundo o Wall Street Journal, agências de inteligência teriam sido instruídas a identificar moradores da ilha e da Dinamarca que apoiem os objetivos americanos.

DIÁLOGO

Trump já deixou claro que quer tomar a ilha por questões estratégicas. Considera-se ainda que a área desejada é rica em minerais estratégicos. Aí é de se perguntar: não seria possível resolver este interesse estratégico norte-americano através de um diálogo com o governo dinamarquês? Claro que sim. Até porque os EUA já possuem uma base na ilha e seria apenas uma questão de ampliação. Porém, Trump deixou evidenciar que não quer diálogo. Quer imposição, ao seu estilo autoritário.

MADURO

Assim como quer fazer com relação à Venezuela, para cuja costa já havia mandado três navios, um submarino, aviões de combate e 4 mil fuzileiros navais. Agora, manda mais dois navios de guerra. A operação é dita de combate ao narcotráfico, mas, é sabidamente de intimidação ao regime de Nicolás Maduro. Claro que, neste caso, o diálogo está fora de cogitação, justo pelo que representa o regime liderado por Nicolás Maduro. Mas não deixa de ser mais uma ação autoritária de Donald Trump.

E para mostrar que ele está aí para impor e não para negociar, anunciou nesta segunda-feira, 25, a mudança de nome do Departamento de Defesa para Departamento de Guerra. Ao anunciar, questionou o termo que induz que o país deva só se defender. “Antes (de 1947) era chamado Departamento de Defesa e soa mais forte”, disse Trump, lembrando as múltiplas guerras vitoriosas dos Estados Unidos. Afinal, a guerra é o cenário em que a imposição se dá pela força. Ao gosto de um governante autoritário.