O Brasil está recebendo a visita do chanceler da Rússia, Serguei Lavrov, o que acontece num momento em que um dissidente do presidente Vladimir Putin, Alexei Navalni, está à beira da morte por envenenamento, e outro opositor, o jornalista Vladimir Kara-Murza, ganhador do Prêmio Vaclav Ravel de Direitos Humanos, é condenado a 25 anos de prisão. Segundo as informações da Euronews, Vladimir Kara-Murza, é um conhecido opositor do regime liderado por Vladimir Putin na Rússia, foi condenado a 25 anos de prisão e uma multa de 400 mil rublos (cerca de R$ 22 mil) pelo tribunal de Moscou, num julgamento realizado à porta fechada. Segundo a agência russa de notícias TASS, Kara-Murza está detido há um ano sob acusação de traição, de propagar informações falsas sobre a atuação do exército russo na Ucrânia, de ser um agente estrangeiro na federação russa e de liderar uma organização clandestina. O agora condenado fica ainda proibido de exercer atividades jornalísticas durante sete anos e a uma restrição de liberdade de movimentos durante seis meses após deixar a prisão.
A defesa alegou que Vladimir Kara-Murza foi detido apenas por expressar opiniões políticas, “por se pronunciar contra a guerra na Ucrânia e combater durante muitos anos a ditadura de Putin”. Kara-Murza é considerado pela Anistia Internacional como um preso de consciência. Ele era próximo de Boris Nemtsov, morto perto do Kremlin em 2015. Estaria sendo vigiado pelos Serviços de Segurança Federal (FSB), os mesmos que teriam promovido o envenenamento do líder da oposição Alexei Navalny, atualmente detido na Rússia e sofrendo com problemas de saúde. Político de oposição mais proeminente da Rússia, Navalny luta contra uma doença misteriosa na prisão que pode ser algum tipo de veneno de ação lenta. Perdeu 8 kg de peso em pouco mais de duas semanas, disse sua porta-voz. Uma ambulância foi chamada para Navalny durante a noite de sexta para sábado na colônia penal de segurança máxima IK-6 em Melekhovo, cerca de 250 km a leste de Moscou, onde ele está detido. Kira Yarmysh, sua porta-voz, fez o anúncio em um vídeo no Twitter. “Não descartamos que neste exato momento Alexei Navalny esteja sendo envenenado lentamente, sendo morto lentamente para atrair menos atenção”, declarou Yarmysh. “Ele está sendo mantido em uma cela de punição com dor aguda sem ajuda médica”, disse ela. Há a expectativa de que Navalny possa morrer durante a visita de Lavrov pela América Latina.
A propósito da visita do chanceler Lavrov ao Brasil, é preciso analisar quem são os nossos parceiros da região a também receber o representante russo. Ele visitará mais três países, logicamente, com governos de esquerda. Fossem esses os governos da Argentina, Chile e Colômbia, todos de esquerda, não haveria contestação porque todos foram democraticamente eleitos. No entanto, ele visitará as três nefastas ditaduras da região: Venezuela, Cuba e Nicarágua, que, por sinal, neste fim de semana expulsou mais três freiras do país, na guerra que vem desenvolvendo contra a Igreja Católica. Então, esses são os parceiros do Brasil na visita que faz Seguei Lavrov.
E tudo isto ocorre num momento em que o presidente Lula tenta se alçar para agir junto com outros países como mediador da guerra na Ucrânia. Um mediador que considera que o presidente Volodimir Zelensky “não faz nada para terminar a guerra” e que, para chegar ao fim o conflito, ele deveria entregar a Crimeia para a Rússia. Vejam que nem na proposta de paz feita pela China, maior aliado da Rússia, isto é contemplado. A proposta chinesa prevê a retirada russa de todos os territórios ocupados, inclusive a Crimeia. As desastradas colocações de Lula foram refutadas nesta segunda-feira pela União Europeia. “O fato é que a Rússia – e somente a Rússia – é responsável. Ela gerou provocações e agressões ilegítimas contra a Ucrânia. Não há questionamentos sobre quem é o agressor e quem é a vítima”, afirmou o porta-voz da União Europeia, Peter Stano. O porta-voz também descartou as críticas de Lula sobre as ações do Ocidente. “Estamos ajudando a Ucrânia em exercícios para legítima defesa.” Ou seja, enquanto recebemos aqui o chanceler da ditadura repressiva russa, Lula desacredita o Brasil perante o Ocidente.
