Em meio à incapacidade de suas forças em fazer a Rússia recuar das áreas que tomou na Ucrânia, o presidente Volodimir Zelensky consegui reunir na Suíça 92 países, para discutir um caminho capaz de pôr fim à guerra. Conseguiu o apoio de mais de 80 países, porém nada que leve a uma solução do conflito. Até porque para que se chegue a um acordo que ponha fim à guerra é preciso a concordância do outro ator principal, a Rússia. E este não estava presente. Aliás, um argumento usado pelo presidente Lula para não participar do evento. Isto que ele estava na Suíça um dia antes. Porém, preferiu sair e mandar a embaixadora brasileira na Suíça para o encontro.
ATORES
Outra ausência importante foi da China, que tem grande influência sobre a Rússia. Aliás, a China é hoje a maior compradora dos produtos russos. O que Moscou deixou de exportar para a Europa está mandando para a China. Com o que, a sua economia não foi abalada pelas sanções ocidentais. A posição da China tem sido meio dúbia, porque, ao mesmo tempo em que apoia a Rússia, declara que não aceita anexação territorial pela força. O que deixa entender que dará respaldo para o fim da guerra numa solução que obrigue a Ucrânia a aceitar a entrega a Moscou dos territórios ucranianos que hoje ocupa.
O fato é que se torna inconcebível, tanto para a Ucrânia como para os seus aliados ocidentais, a entrega de territórios para a Rússia. Até porque há a convicção de que, se isto acontecer, Putin não vai parar. Finlândia e as repúblicas do Ártico, Estônia, Letônia e Lituânia, são as que mais temem. Não é sem razão que a Polônia, que tem histórico de ser invadida, está aumentando substancialmente o seu arsenal.
ALIADOS
Zelensky vem se queixando do apoio de seu maior aliado, os Estados Unidos. Afinal, o último montante destinado à Ucrânia levou sete meses para ser liberado pelo Congresso norte-americano. Mas aí não foi culpa de Biden, e sim dos congressistas republicanos que, orientados por Donald Trump, retardaram o que puderam a aprovação do projeto. Mesmo assim, Zelensky se queixou da ausência de Biden neste encontro da Suíça. Acontece que o presidente está em campanha por reeleição e havia programado um evento de arrecadação de fundos com as presenças simplesmente de Barack Obama, Bill Clinton, Julia Roberts e George Clooney, entre outras figuras de expressão. E como Biden não está bem nas pesquisas, o evento era da maior importância para ele.
A propósito, a posição adotada por Trump junto à bancada republicana não é nada animadora para Zelensky. Assim como também não é animadora para a Otan. Ele tem deixado claro que não vai continuar com o apoio às forças que lutam contra a Rússia. Aliás, Trump sempre manifestou uma certa afinidade com Vladimir Putin e uma vontade de deixar a Otan por sua conta. Ou, pelo menos, fazer com que os EUA deixem de ser o maior financiador da Aliança Atlântica.
RECURSOS
Porém, em meio a tanta notícia negativa, Zelensky recebeu uma positiva: uma ajuda de 50 bilhões de dólares. E o mais interessante, de dinheiro russo. Ocorre que a Rússia, em decorrência das sanções que sofreu, teve congelados no mercado financeiro ocidental cerca de 370 bilhões de dólares. E a decisão do Ocidente foi tirar desse montante os 50 bilhões, porém a título de empréstimo. Será pago com os rendimentos das aplicações financeiras daquele dinheiro que estava congelado.
O problema maior para Zelensky é que ele tem urgência no recebimento de armamentos. Precisa pelo menos estancar o avanço russo. E a transformação desse dinheiro em armas, com a chegada até a Ucrânia, demanda muito tempo. Um alento que teve foi a autorização para usar as armas ocidentais dentro do território russo. Isto já lhe permitiu dar algumas abaladas nos alicerces russos. Porém, mesmo esta autorização está limitada à região da fronteira.
FORNECEDOR
Putin, por sua vez, busca o apoio de um outro inimigo do Ocidente, o ditador norte coreano Kim Jong-un, o qual já tem lhe fornecido armamentos. Já foram vistos restos de mísseis norte-coreanos em território ucraniano. Na extensão da cúpula da Suíça, não muito bem sucedida para Zelensky, Putin visita nesta terça e quarta-feira a Coreia do Norte. O objetivo é incrementar a parceria entre os dois países na produção de mísseis. Algo que está sendo implementado desde a visita de Kim à Rússia, no ano passado, quando foi recebido com pompas e circunstâncias.
Esta é mais uma peça a se mover nesse perigoso jogo de xadrez que se tornou o conflito da Ucrânia.
