Memórias de nossas
antigas avós.
Nada mais só
do que o quarto
da avó.
O pai,
a mãe,
nas trincheiras do mundo.
A avó faz biscoitos
e estende o xale
sobre nós.
O rádio,
o abajur,
a cadeira de balanço,
tudo vem lá do fundo do tempo.
A avó
é colega de infância
de antigos profetas.
Seus personagens
prediletos
estão encarcerados
na moldura dos retratos.
O mundo correu demais.
No relógio dos avós,
os ponteiros dançam valsas.
A penumbra da sala
mais convém
do que o neón das avenidas.
A agulha de crochê,
os óculos
e gavetas fechadas
onde se escondem cartas e sigilos
que contestam
a placidez de agora.
Quando a avó suspira,
sente saudades
de seus pecados.
