“O Brasil marca encontro com a história e não comparece.”
Posto que ventava, entre espirros
aportou Cabral.
Enforcaram Beckman,
esquartejaram Joaquim,
o príncipe deu um grito
e continuou tudo assim.
Com rimas incendiadas,
Castro Alves ditou a abolição.
Isabel rabiscou,
pelo sim, pelo não.
Ruy discursa com Patrocínio,
e o Império rui.
Deodoro, não demores.
E não desças do cavalo,
pois vais virar estátua.
Obesos e safados, os coronéis
tomaram o poder num café com leite.
A Coluna está prestes a avançar.
Eu sou Getúlio, ditador e democrata.
Ponto final: uma bala.
A nação chora. E cala.
JK é faraó. Jânio, doido. E só.
Reis e peões armam o xeque.
Jango cai. O país põe o quepe.
Caça-se no castelo.
Não “mede-se” a violência.
Está tudo torto. Diretas já!
Um corte da morte
e fica tudo como está.
Os planos são cruzados
em longos fios de bigode.
Vem das Alagoas
o caçador de marajás.
Os caras-pintadas lotam as ruas.
Topetes ao vento
e nudez nos camarotes,
é o Brasil de Itamar.
Navega nostálgica
a esquadra da esquerda.
Montado no Real,
cavalgou Dom Henriques
sob os ventos
da social-democracia.
Lula pula,
o povo tem gula
e direito
a fatias do bem-estar.
Sob o mando de uma dama,
cresce o bolo da discordância.
Cai a rainha, mas permanece
a corte, com seus eunucos,
vice-reis e valetes.
Temos um governo temeroso.
O pêndulo do tempo balança,
entre ansiosas esperanças
e temível desalento
