Luiz Coronel

A História revista a partir de um banco de praça

Poeta Luiz Coronel analisa a história sendo contada a partir de um eu lírico em um banco de uma praça qualquer

Trabalho do DMLU no dia  eleiçoes
Trabalho do DMLU no dia eleiçoes Foto : Mauro Schaefer

Mas, afinal, quem dá corda

ao relógio da História?

Serão, por acaso, os heróis

de decantada memória?

Eu pergunto: quem ao homem

traz mais digna ventura?

O solene parlamentar

ou a moça da floricultura?

No árduo frigir dos ovos,

quem fecunda a alegria?

Será o megainvestidor

ou o Joaquim da mercearia?

Quem fez girara as roldanas

pra que o tempo não parasse?

As togadas excelências

ou o plantador de alface?

O homem que colhe uvas

e serve tua taça de vinho

bem mais faz que as majestades

com suas capas de arminho.

Dormem em sono de bronze,

heróis que a História cultua.

No árido chão cotidiano,

os garis varrem as ruas.

Em todo repasse do tempo,

comícios e microfones,

esquecem quem tece o tempo:

a gente simples, sem nome.