Luiz Coronel

A menina do vestido verde

O passado jogou pedras no futuro,

e elas tombaram sobre o presente.

Com seu vestido verde,

Esperança ganhou as ruas

prometendo mundos e fundos.

Anunciava aos quatro ventos:

– Parlamentares plantarão

bananeiras, comprovando

assim quão vazios estão

seus bolsos e carteiras.

A indústria bélica mudará

sua razão social

para fábrica de brinquedos.

Uma chuva, batida de ventos,

desgrenhou seu cabelo

e desbotou o seu vestido.

Tão logo a voz dos sinos

anunciou

a chegada do Ano-Novo,

os desatinos explodiram

nos noticiários.

Sozinha, num banco de praça,

Esperança chorou,

copiosamente,

durante quatro estações.