Bem que eu queria
ordenar minhas lembranças,
tê-las em procissão,
cânticos nos lábios,
lâmpadas votivas nas mãos.
Qual! Elas disparam
tal fugitivas
e retornam trôpegas,
fustigadas.
Algumas lembranças
são travessas.
Escondem-se atrás das árvores
e gritam meu nome
em falsete.
O hálito embaça
a vidraça onde desenho
anjos, gatos e patos,
à espera dos tios.
Algumas recordações
pregam-se ao rosto
qual mariscos às pedras.
Padeira dos sonhos,
artesã dos pesadelos,
a memória pendura no cinto
as chaves da alma.
Algumas lembranças
nos sustentam
como a corda ao enforcado.
Algumas, movem-se
na sombra,
Outras, têm claras lanternas.
As lembranças
são minhas estrelas cativas,
imperceptíveis algemas.
