São curtos os tapetes da alma.
O tempo desce de sua bicicleta.
Penso que exista um país fora do tempo.
Lá, tudo é sempre.
Será, talvez, um depósito onde o tempo
Guarda sua herança e sua fuligem?
Às vezes, um anjo notívago nos conduz,
entre cômodos e nimbos,
ao reino fosco e misterioso de outrora.
Espiamos pela fechadura.
Lá estamos nós, nítidos e jovens,
plenos de luz no riso e sombras no olhar.
Viajamos por décadas e léguas
e, subitamente, despertamos dos escombros
de nossos sonhos.
Pasmos, descobrimos que os fantasmas
que nos habitam somos nós mesmos.
Envoltos nos brancos lençóis
da memória, eles rondam os esconderijos
de nossos mais íntimos segredos.
Não retornam à ramagem as folhas
levadas pelo vento.
Porque a memória insiste a que lembremos
o que vivemos outrora?
