Luiz Coronel

Abraços

Poeta Luiz Coronel exalta a magia dos abraços em poema para o Caderno de Sábado

Luiz Coronel: "Nossas vidas,/ quando unidas,/ envolvidas no espaço,/ eram cismas,/ cataclismas,/ redimidas pelo abraço".
Luiz Coronel: "Nossas vidas,/ quando unidas,/ envolvidas no espaço,/ eram cismas,/ cataclismas,/ redimidas pelo abraço". Foto : Yuri A. / Shutterstock / CP

Eu pergunto

e pergunto,

e não mudo de assunto.

O que eu faço

com esses braços lassos,

tão vazios

e sem abraços?

Nossas vidas,

quando unidas,

envolvidas no espaço,

eram cismas,

cataclismas,

redimidas pelo abraço.

Por um dá cá aquela palha,

o incêndio já se alastrava.

Um simples telefonema

punha os cães ao meu encalço.

Eram ciúmes e chiliques,

era o amor e seus percalços.

Um silêncio turvo e triste

apaziguado no abraço.

De adeus em adeus, o amor

se espatifa em estilhaços.

Colhendo cacos dispersos,

unem-se as mãos num abraço.

O tempo é sempre presente

se recordo os seus traços.

No relógio das lembranças

os ponteiros são dois braços.

Eu não sei onde ela anda,

que os anjos guiem seus passos.

O que faço de meus dias

sem a benção de seus braços?