Eu pergunto
e pergunto,
e não mudo de assunto.
O que eu faço
com esses braços lassos,
tão vazios
e sem abraços?
Nossas vidas,
quando unidas,
envolvidas no espaço,
eram cismas,
cataclismas,
redimidas pelo abraço.
Por um dá cá aquela palha,
o incêndio já se alastrava.
Um simples telefonema
punha os cães ao meu encalço.
Eram ciúmes e chiliques,
era o amor e seus percalços.
Um silêncio turvo e triste
apaziguado no abraço.
De adeus em adeus, o amor
se espatifa em estilhaços.
Colhendo cacos dispersos,
unem-se as mãos num abraço.
O tempo é sempre presente
se recordo os seus traços.
No relógio das lembranças
os ponteiros são dois braços.
Eu não sei onde ela anda,
que os anjos guiem seus passos.
O que faço de meus dias
sem a benção de seus braços?
