Tenho comigo que os amigos
que partiram
ganham uma dimensão
menor que um átomo
e maior que o universo.
Lá se foi Marcello,
os sapatos, no porta-malas,
guardavam vestígios de cimento.
Suas edificações tinham vigas
de afeto e redimensionavam
a cidade.
Jerônimo espargiu purpurina
pelos céus do Rio de Janeiro.
Era o nosso Astro Haragano.
Suas cinzas em Bagé
foram florir nos humildes canteiros
da casa amarela de sua infância,
onde a música batizou sua alma.
E agora o Patineti. O Chiquinho.
Todos os seus amores foram definitivos.
Era uma lenda de si mesmo.
Cultuava o exótico com naturalidade.
Uma gaiola com um bodoque no poleiro
decorava sua casa.
Um ser único
em permanente inauguração de si mesmo.
Amigo é a grande verdade.
