Agosto tem posto
no meu rosto
um tal desgosto
que nem gosto de pensar.
Mas lembro, amanhã
será setembro,
e eu voltarei a cantar.
Amanhã, o canário
que pousa
na antena da televisão,
no vídeo de nossa janela,
há de cantar sua canção.
Amanhã, o escafandrista
e o mestre-cuca
hão de dançar no convés.
Amanhã, rosas de espuma
chegarão à praia
trazidas pelas marés.
Amanhã, com meu peito
transbordando de ternura,
tal colmeia, eu irei
ao teu encontro levando
uma braçada de azaleias.
Amanhã será setembro.
