Não ficarei preso
à coleira dos calendários.
Tenho todas as idades
que já tive. Sinto, ao meu lado,
o menino que fui outrora.
“A infância é a verdadeira
pátria de um homem.”
Miro-me no espelho
sem aplausos ou vaias.
O tempo não tem rótulas
de retorno.
O passado é um malabarista
das horas e o futuro se enredou
nas correias da bicicleta.
Antevejo uma bandeira
xadrez agitar-se. Algo me diz
que tenho algumas voltas
a dar na pista.
Não estarei no podium
num chafariz de espumantes.
Quando restar o corpo,
pois a alma parte,
que se recorde
Dom Quixote.
Quem encara o seu
“bom combate”, o seu viver
transcende ao tempo e à morte.
