Contemplo o rosto de Neto
entre vultos na galeria.
Por persianas entreabertas,
o passado dá bom dia.
Há os que sentem, ante o tempo,
pesadelos, calafrios.
A vinte passos do herói,
repousam meu pai, meus tios.
Do mar que teve em seu berço,
trouxe o ímpeto incessante.
A paisagem livre do Pampa
ganhou sua alma e semblante.
Galanteador e pé de valsa,
radical em sua coerência.
Se voa o chapéu dum gaúcho,
o vento lhe faz reverências.
Cavalga com seu corcel,
ostenta arreios de prata.
As faíscas das ferraduras
são pirilampos na mata.
De seu branco mausoléu,
despido de todo regalo,
nas noites de tempestade,
ouve-se um tropel de cavalos.
No branco mármore inscreve-se:
Antônio de Souza Neto.
Deita-se o sol a seus pés,
e tem estrelas por teto.
Ao pronunciar o seu nome,
confira mesuras ao guapo.
Finda a Guerra, no exílio,
hasteio o Pendão Farrapo!
