Luiz Coronel

As extensões do tempo

Poeta Luiz Coronel exalta o tempo nos seus versos deste final de semana

Luiz Coronel: "Nos relógios, o presente/ não chega a arrumar o leito./ No coração das gentes,/ batem três tempos no peito."
Luiz Coronel: "Nos relógios, o presente/ não chega a arrumar o leito./ No coração das gentes,/ batem três tempos no peito." Foto : Museu do Relógio / Divulgação / CP

O presente

Nos relógios, o presente

não chega a arrumar o leito.

No coração das gentes,

batem três tempos no peito.

O presente e suas surpresas,

chegando em horas incertas.

Entre berçários e túmulos,

momentos de pranto e festa.

O passado

O passado nos conduz

aos estádios da memória.

Há sempre vestígios da infância,

resíduos de nossa história.

O passado e seus fantasmas,

o futuro e suas antenas.

O tempo nos aprisiona

com suas cerradas algemas.

O futuro

Corre o tempo, e o presente

tropeça quando se apura.

O futuro abre os braços

a quem sabe o que procura.

Tá nas vísceras dos pássaros?

Esconde-se atrás dos muros?

A esperança é uma lanterna

para os tempos obscuros.