Luiz Coronel

As Olimpíadas

Poeta Luiz Coronel aborda o evento esportivo que mobiliza o mundo nestes últimos dias

Paris-2024-Cerimônia de abertura
Paris-2024-Cerimônia de abertura Foto : AFP

Sejam bem-vindos, atletas,

à maratona do tempo.

Aos céleres, medalhas d’ouro,

parcos diplomas, aos lentos.

Com medalha cintilante,

fez-se solene outorga

ao menino recordista

no empinar de pandorgas.

Giram e brilham medalhas,

gira o mundo por você.

Giram arcos na cintura,

medalhas ao bambolê.

Uma constelação de bólidos

colide no chão, amiúde,

saltando do polegar

ágeis bolinhas de gude.

Mocinhas de corpo esbelto

fazem tudo por vencer

o jogo de cambalhotas

que se tem no bilboquê.

Muitos infantes atletas

competem salto à distância

e tombam leves, flutuantes,

no mais tenro chão da infância.

A natação é fantástica.

Ouve-se o apito do juiz,

mergulham doiradas meninas

nas águas do chafariz.

Na prova de equitação,

vêm do fundo do quintal

sete ilustres cavaleiros

em seus cavalos de pau.

Findo os Jogos Olímpicos,

o próprio rei vai propor

que dancem todos em torno

do bougainville em flor.