Pelas trilhas da memória,
os fantasmas logo assomam.
Soltemos as nossas vidas
num veloz carro de lomba.
Em busca de minha infância,
onde a casa que procuro?
Perdi as chaves do bolso,
não há escadas nos muros.
Brincam de se esconder
os meus amigos de outrora.
Conto até vinte, não voltam.
O entardecer não demora.
Há tanto adeus pela estrada,
onde as setas da alegria?
Vou ao encontro de um rosto
que ao sorrir resplandecia.
Na morada dos abraços,
afagos de travesseiros.
Não vou maldizer as horas
se de amor me fiz herdeiro.
As perdas não foram tantas.
Guardo em mim certas imagens
que foram, em noite turvas,
lua nova na paisagem.
Os remos da memória
jogando água nas quilhas
nos revelam que a infância
não é desterro, é uma ilha.
