Flano pela praia em correria.
Tomo banho de chuva no mar.
É aquele doce-amargo
sabor que a vida tem.
O sal das ondas
e os pingos de chuva
escorrendo sobre meu rosto.
A identidade encharcada
é um pálido peixe no aquário
das bermudas.
O celular, escafandrista,
mergulhado no arroz,
reassume a voz
e ressuscita a imagem fugitiva.
Nada como um banho de mar
para lavar e enxaguar nossa memória.
Alheios aos raios e trovoadas,
de mãos dadas, soltos pela praia,
sob o toldo das plúmbeas nuvens,
ríamos qual crianças libertas pelo recreio.
Envelhecer é encharcar-se
nos pingos e respingos das lembranças.
Molhada, sua saída de praia aderia ao corpo,
e ela estava mais nua do que nunca
naquele entardecer.
Chovia, e como chovia...
