Rogo ao céu e à terra
que o Ano-Novo solte
as âncoras que o prendem
ao ano que ora finda.
Quero vê-lo voando,
liberto, qual as pombas
do campanário
quando badalam
os sinos natalinos.
Entoaremos um cântico
à vida reconstituída
na coreografia dos abraços,
no brinde das taças,
nos banhos de mar.
Que o Ano-Novo afague
nossa fronte
para que pensemos
o quanto a alegria
é possível.
Beije nossos lábios
para que possamos
pronunciar nossa
mais límpida verdade.
Que o Ano-Novo abençoe
nossas mãos, para podermos
esculpir no rosto do tempo
a nossa apreensiva esperança.
