O passado é inamovível.
Não gosto de meu passado,
se encontrá-lo em meu trajeto,
mudo de calçada.
Trago um balde de tintas
e uma mala de fantasias
para visitar minhas memórias.
Poderei somente assim
me redimir de meus pecados.
Há uma hora para o reencontro,
pois somos o que fomos.
Os filhos trazem flores
para a sala de jantar.
A velhice caminha por minha rua,
pergunta onde moro.
Vários dedos apontam minha casa
verde com gradil vermelho.
Há um senhor de cabelos brancos
que ao entardecer caminha
ladeado por seu inquieto
cão border collie.
A vizinhança parece
gostar de seus poemas.
