Luiz Coronel

Confissão tardia

O passado é inamovível.

Não gosto de meu passado,

se encontrá-lo em meu trajeto,

mudo de calçada.

Trago um balde de tintas

e uma mala de fantasias

para visitar minhas memórias.

Poderei somente assim

me redimir de meus pecados.

Há uma hora para o reencontro,

pois somos o que fomos.

Os filhos trazem flores

para a sala de jantar.

A velhice caminha por minha rua,

pergunta onde moro.

Vários dedos apontam minha casa

verde com gradil vermelho.

Há um senhor de cabelos brancos

que ao entardecer caminha

ladeado por seu inquieto

cão border collie.

A vizinhança parece

gostar de seus poemas.