Luiz Coronel

Fantasia portenha

Poeta Luiz Coronel fala de Buenos Aires a partir de uma narrativa do historiador Voltaire Schilling

Luiz Coronel: "Sonhos mortos são fantasmas/ que batizam Buenos Aires./ O desvario e a ganância/ fincaram fortes pilares."
Luiz Coronel: "Sonhos mortos são fantasmas/ que batizam Buenos Aires./ O desvario e a ganância/ fincaram fortes pilares." Foto : Deensel / Wikipedia Commons / CP

Havia uma cidade fantástica

inclusa entre pampa e mata.

O ouro encobria as ruas,

nas casas, portas de prata.

Os navegantes ibéricos

vinham às terras austrais

buscar no reino perdido

tesouros imensurais.

Adentrando pampa adentro,

para assombrar os seus passos,

o riso mordaz do vento

e o inconteste fracasso.

Sonhos mortos são fantasmas

que batizam Buenos Aires.

O desvario e a ganância

fincaram fortes pilares.

Óh! Cidade dos delírios,

de glória, fausto e desmandos,

com relatos em milongas

e no soluço dos tangos.

Nascedouro de quimeras,

de sonhos soltos, sem rédeas,

galopando devaneios,

em teu encalço, tragédias.

Esplêndida cidade portenha

que o triste luar ilumina,

com teus segredos, envolves,

com tua magia, fascinas.