Havia uma cidade fantástica
inclusa entre pampa e mata.
O ouro encobria as ruas,
nas casas, portas de prata.
Os navegantes ibéricos
vinham às terras austrais
buscar no reino perdido
tesouros imensurais.
Adentrando pampa adentro,
para assombrar os seus passos,
o riso mordaz do vento
e o inconteste fracasso.
Sonhos mortos são fantasmas
que batizam Buenos Aires.
O desvario e a ganância
fincaram fortes pilares.
Óh! Cidade dos delírios,
de glória, fausto e desmandos,
com relatos em milongas
e no soluço dos tangos.
Nascedouro de quimeras,
de sonhos soltos, sem rédeas,
galopando devaneios,
em teu encalço, tragédias.
Esplêndida cidade portenha
que o triste luar ilumina,
com teus segredos, envolves,
com tua magia, fascinas.
