Luiz Coronel

Invernias

INICIO DO INVERNO 2025
INICIO DO INVERNO 2025 Foto : Mauro Schaefer

Venta o vento no arvoredo,

chove a chuva na cumeeira.

No quarto da noite escura,

é teu corpo minha lareira.

A cidade está dormindo,

não despertem sua atenção.

A cidade está coberta

com as colchas da cerração.

Chove chuva chuvinheira

A calçada é um riacho

O barquinho vai levando

minha infância rua abaixo.

Ontem à meia-noite,

quem estava acordado assistiu

moradores de rua e estátuas

espirrando de tanto frio.

No aquário dos sapatos,

sinto os pés como dois peixes.

Há três dias que nas calhas

lê a chuva o mesmo texto.

A lua nova, lá no alto,

com o inverno se depara,

por isso ela se enrosca

no poncho das nuvens claras.

A neve vinha de leve

flutuando no céu assim,

pensei, estão depenando

arcanjos e querubins.

No cinza da tarde cinza,

deparo teu riso claro.

Tuas mãos são minhas luvas,

e teu corpo, meu amparo.