Luiz Coronel

Lembranças paternas

Luiz Coronel começa a homenagear o Dia dos Pais com seus versos

Obra "O Retorno do Filho Pródigo", de Rembrandt, quadro de 1668, que pertence ao acervo do Hermitage, em São Petersburgo
Obra "O Retorno do Filho Pródigo", de Rembrandt, quadro de 1668, que pertence ao acervo do Hermitage, em São Petersburgo Foto : Rembrandt / Reprodução / CP

Feliz és tu que não precisas

fechar os olhos

para encontrar teu pai.

Ele abre o jornal

quando abres a porta.

Teu pequeno Atlas

tem o mundo

em suas mãos.

Deixa de lado

a lufada dos fatos

e vem ao teu encontro.

Abraço de mãe

é travesseiro.

É árvore o pai.

A gente sempre fica

com algumas palavras

trancadas na garganta.

O pai não quer arroubos

nem proclamas.

Mãe é teto.

Pai é viga.

No escuro avalias

o filho que és.

Dormes e sonhas

com teu pai.

Chove na manhã de inverno.

E como era bom

vir da escola em seu colo.

Os pingos d’água cantando

sobre a copa do guarda-chuva.