Luiz Coronel

O Alferes Tiradentes

Retrato de Tiradentes, de 1922, quadro pintado por Oscar Pereira da Silva, que está na coleção do Museu Paulista
Retrato de Tiradentes, de 1922, quadro pintado por Oscar Pereira da Silva, que está na coleção do Museu Paulista Foto : Oscar Pereira da Silva / Wikipedia Commons / CP

Pela região das Gerais,

as esvoaçantes bateias.

Bem mais do que ouro e prata,

brilham as novas ideias.

Pelas janelas da noite,

tênue luz ainda arde.

Estão bordando a bandeira:

“Liberdade, ainda que tarde”.

O que dizem as estátuas

dos profetas penitentes?

Falam de glória e martírio

do Alferes Tiradentes?

Ó, senhores do poder,

com suas galas e misteres!

Dispensai as regalias,

pensai um pouco no alferes.

Quem reina sempre escolhe

o destino que prefere:

vilanias de Silvério

ou utopias do Alferes?

No Campo de São Domingos,

numa carreta, descalço,

entre sino, algoz e padre,

sobe o herói ao cadafalso.

Entre escombros e esperanças

que a luz do dia confere,

pergunta-se: faz sentido

o sacrifício do Alferes?