Luiz Coronel

O Alferes Tiradentes

(Lembrando a Inconfidência Mineira)

Retrato de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes (1922), de autoria de Oscar Pereira da Silva, pertencente ao Acervo do Museu Paulista da USP
Retrato de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes (1922), de autoria de Oscar Pereira da Silva, pertencente ao Acervo do Museu Paulista da USP Foto : Oscar Pereira da Silva / Reprodução / CP

O Alferes Tiradentes

(Lembrando a Inconfidência Mineira)

Pela região das Gerais,

as esvoaçantes bateias.

Bem mais do que ouro e prata,

brilham as novas ideias.

Pelas janelas da noite,

tênue luz ainda arde.

Estão bordando a bandeira:

“Liberdade, ainda que tarde”.

O que dizem as estátuas

dos profetas penitentes?

Falam de glória e martírio

do Alferes Tiradentes?

Ó, senhores do poder,

com suas galas e misteres!

Dispensai as regalias,

pensai um pouco no alferes.

Quem reina sempre escolhe

o destino que prefere:

vilanias de Silvério

ou utopias do Alferes?

No Campo de São Domingos,

numa carreta, descalço,

entre sino, algoz e padre,

sobe o herói ao cadafalso.

Entre escombros e esperanças

que a luz do dia confere,

pergunta-se: faz sentido

o sacrifício do Alferes?