O campo não sonha, floresce.
O campo não pede, oferece.
E quando o campo decide,
acontece.
Vem o sol é uma oração.
Vem a chuva, é uma prece.
A quem traz sementes nas mãos
até o vento obedece.
Quem viaja em noite escura
sabe que a lua aparece.
Quem remenda a solidão
conhece o tecido que tece.
Quem apascenta os rebanhos
enquanto a chaleira aquece
revolve o chão da lavoura,
e a plantação logo cresce.
Cai o suor por nosso rosto,
pequeno rio que nos desce.
No ventre das estações
os frutos amadurecem.
Quem sentir a dor do campo
por certo não esmorece,
pois sabe que o campo não sonha,
sabe que o campo floresce.
