De braços abertos,
acolhe a maresia.
Ergue o rosto aos céus,
anunciando
as chuvas vindouras.
O tato lhe revela
a cor dos guarda-sóis.
Sabe o nome dos vendedores
de chapéus e picolés.
Venceu a batalha
contra os parentes
que lhe negavam
o direito de surfar.
A cada manhã alimenta
os peixes e as gaivotas.
Constrói castelos de areia
que hospedam
os caranguejos e as marés.
Joga espumas sobre
os olhos nublados
à espera de um milagre.
Entoa cantigas antigas
que falam de barcos e remos.
Guarda caracóis na mochila.
Mesmo em casa lhe apetece
ouvir a murmurante
cantilena do mar.
