“Não acuso. Nem perdoo
Nada sei. Contemplo.”
Cecilia Meireles
O conflito é um grito
rasgando a imensidão
do infinito!
Com tintas de sangue,
não se redige armistício.
Foguetes e mísseis são mortíferas
estrelas (de)cadentes
rasgando os céus do Oriente.
A pomba não fará seu ninho
sobre barris de pólvora.
Sangra o nosso pulso
de tanto bater nas portas
de sinagogas e mesquitas
em busca da paz.
Os abutres desovam em túneis secretos
e modernos esconderijos.
Estátuas serão erguidas
sobre um pedestal
de inocentes tombados.
“Trégua Humanitária.”
Quanto embuste cabe
entre duas palavras?
O sol é o mesmo e mesma
é a terra árida onde germinam
as sementes da violência.
Ah! Palestina, umbigo espiritual
do mundo.
Oh! Israel, o sofrimento
endureceu vossa alma?
Quem é Davi? Quem é Golias?
Há um rosário de séculos
nas contas de vossas memórias.
Na fronteira do rancor,
não há passaporte para a compaixão.
