Luiz Coronel

O mar dos infantes

Luiz Coronel ensaia mais um poema de verão neste final de semana

Foto : Fabiano do Amaral

Eles brincam de pegador

com o vaivém das marés.

Correm as ondas travessas

acariciando seus pés.

Se entendem com as gaivotas

pequenas nuvens ariscas

que pousam em nossas praias

à procura de mariscos.

Os seus castelos de areia,

obras de mãos arquitetas,

pouco importa que desabem

ante as vagas sempre inquietas.

São casas os guarda-sóis,

feitas de gomos radiantes.

Parece até que nas praias

despontam flores gigantes.

O mar será sempre o mar,

a criança, só o agora.

Há em nós uma criança

que persiste tempo afora.

Na água de seus baldinhos,

a salinidade do mar.

Que o sal nunca desponte

nas vertentes do olhar.