Eles brincam de pegador
com o vaivém das marés.
Correm as ondas travessas
acariciando seus pés.
Se entendem com as gaivotas
pequenas nuvens ariscas
que pousam em nossas praias
à procura de mariscos.
Os seus castelos de areia,
obras de mãos arquitetas,
pouco importa que desabem
ante as vagas sempre inquietas.
São casas os guarda-sóis,
feitas de gomos radiantes.
Parece até que nas praias
despontam flores gigantes.
O mar será sempre o mar,
a criança, só o agora.
Há em nós uma criança
que persiste tempo afora.
Na água de seus baldinhos,
a salinidade do mar.
Que o sal nunca desponte
nas vertentes do olhar.
