Luiz Coronel

O PAI

Poeta Luiz Coronel transforma em versos a data em homenagem aos pais

Nossa mão pequena em sua mão,

semente no fruto ou fruta em seu cacho.

Nossos brinquedos cabiam em seus sapatos.

O pai tem gestos brandos e olhar incisivo.

Quando o pai sorri,

o sol se impõe sobre a neblina.

O pai não teme a treva

nem os barulhos do pátio.

Na ausência do pai,

as portas têm tramelas.

O pai é o pai.

O pão e o vinho na cabeceira da mesa.

Com camisa suada,

regressa o pai com seus humildes presentes.

Um dia, nossas mãos sustentam o corpo do pai,

que viaja sem malas ou regresso.

Só nos resta tomar a mão de nossos filhos

e seguir a trilha curva do tempo