Luiz Coronel

Os Balonistas de Torres

Foto : Johan Karls / Divulgação 33º Festival Internacional de Balonismo

Voar

é subir os degraus da montanha

apoiado no corrimão das nuvens.

Voar

é ser nós mesmos

a pandorga do menino

que fomos outrora.

Voar

é ser vizinho da lua

nas sesmarias do outono.

É abrir as janelas do tempo

e colher a rosa dos ventos.

Voar

é dialogar com o silêncio

e morder fatias do sol.

É ser íntimo das gaivotas

e desvendar o segredo dos anjos.

Voar

é tornar a liberdade

um substantivo concreto.

E habitar um mundo

sem cadeados nem tetos,

ouvindo as confidências

do tempo.