Voar
é subir os degraus da montanha
apoiado no corrimão das nuvens.
Voar
é ser nós mesmos
a pandorga do menino
que fomos outrora.
Voar
é ser vizinho da lua
nas sesmarias do outono.
É abrir as janelas do tempo
e colher a rosa dos ventos.
Voar
é dialogar com o silêncio
e morder fatias do sol.
É ser íntimo das gaivotas
e desvendar o segredo dos anjos.
Voar
é tornar a liberdade
um substantivo concreto.
E habitar um mundo
sem cadeados nem tetos,
ouvindo as confidências
do tempo.
