Pacientes os livros.
Quietos, esperam que libertemos
pássaros e suspiros
que habitam essa caixa de Pandora.
Tão silenciosos, cada livro é uma casa.
Se abrirmos as portas,
a vida desvenda seus segredos.
Eles têm sinos e confidências
para tua hora mais sozinha.
Cada página é um lastro de paciência.
Ourives, os escritores procuram
a palavra exata que se oculta
nos dicionários da memória.
Alguns livros mudaram a história.
Escritos com sangue, lágrima ou persistência, eles dormem de pé,
em tua estante.
Profundos ou amenos,
de tuas mãos fazem um ninho, e ali se quedam castos e recolhidos.
Quem diria que aquelas páginas
seriam tatuagem em tua alma?
Os livros falam, cantam, se souberes
ouvir seu murmúrio confidente.
Quando mudas de página,
o livro é um leque a ventilar tuas ideias.
Ah, uma biblioteca...
Neste palco se movem
trágicos e glosadores.
Descem as cortinas
quando fechas um livro.
Cada parágrafo
guarda o suor dos escribas.
Aos que se perdem
no desvario do mundo,
todo livro é um passaporte
para esta viagem
entre a realidade e a imaginação.
