Senhores provectos
conduzem à morte
a juventude de seus países.
(Eles não morrem,
nem lutam, dão entrevistas...)
Precavidos, encomendam
um milhão de ataúdes.
Um córrego de sangue
fertiliza
o árido chão do deserto.
Uma chuva torrencial
de projéteis
cairá sobre as cidades.
Descendentes de Isaac
e Ismael afiam pontas
e acertam contas.
Com a cabeça de Jeová
nos ombros de Maomé,
choram a malversação
de suas parábolas.
Meninos voltarão cobertos
de honra, formol e medalhas.
Por duas estações,
namoradas hão de soluçar
abraçadas ao travesseiro vazio.
O avô levará flores amarelas
ao neto que virava cambotas
nas manhãs de domingo.
As mãos que liberam mísseis
e soltam arsenais
hão de provar que são ninhos
da pomba da paz.
É assim que agem
os “senhores
da ocasião e da guerra”.
