Os ventos da primavera
nos jardins tiveram o zelo
de se perfumar entre as flores
pra dançar em teus cabelos.
E tu mesma, bem pareces
aos ventos em teus cabelos.
Ventos, tão simples senti-los
e tão difícil detê-los.
Corre o vento pela estrada,
pois o vento não descansa.
Os cegos sabem que o vento
é o nada fazendo mudança.
O tempo é nosso cenário,
e nós, estreantes atores.
O ponto, as vozes do vento.
A trama, nossos amores.
Deus criou a esperança
na manhã de primavera,
tão logo o vento anunciara
as aves, peixes e feras.
Os andarilhos percebem
o que são os redemoinhos:
são tontas coreografias
de fantasmas bailarinos.
Grito às lonjuras do pampa
o nome de amigos meus.
E a voz do vento murmura
a triste palavra adeus.
