Luiz Coronel

Os ventos da primavera

Os ventos da primavera

nos jardins tiveram o zelo

de se perfumar entre as flores

pra dançar em teus cabelos.

As nuvens são malas do vento,

levando chuvas e toalhas.

Cai a chuva sobre os campos,

e pelas ruas se espalha.

Corre o vento pela estrada,

pois o vento não descansa.

Os cegos sabem que o vento

é o nada fazendo mudança.

O tempo é nosso cenário,

e nós, estreantes atores.

O ponto, as vozes do vento.

A trama, nossos amores.

“Deus criou a esperança

na manhã de primavera”,

tão logo o vento anunciara

as aves, peixes e feras.

Os andarilhos percebem

o que são os redemoinhos:

são tontas coreografias

de fantasmas bailarinos.

Grito às lonjuras do pampa

o nome de amigos meus.

E a voz do vento murmura

a triste palavra adeus