A vida explode em euforia.
O povo instaura
a dinastia da folia.
O carnaval
é o recreio no orfanato.
A glória dos ornatos.
Há um faraó de bigode
e Eva na boca da serpente.
Frívolas emergentes
cobertas de lamê e ametista
são aves do paraíso socialista.
No carnaval,
o camelô e o estafeta
se transformam
em cisnes
e borboletas.
Há um pavão da Babilônia
e uma pedicure
entre lantejoulas e begônias.
Varredores de rua
conduzem o sol e a lua.
A lava colorida
dos morros invade
as avenidas.
O gari vem de astronauta
numa órbita de alumínio.
Cada baiana é uma flor
que desabrocha.
O mestre-sala
e a porta-estandarte
têm a graça dos fantoches.
O vendedor de pipocas,
de fraque e cartola,
abre alas para a escola.
Uma artilharia de tamborins
realça o bicheiro
fantasiado de querubim.
É o carnaval.
